Quarta-Feira Criativa S03E07

Muitíssimo bem-vindos a mais uma Quarta-Feira Criativa!

Se você ainda não sabe do que se trata, é um projeto para a reunião de microcontos em uma antologia após o décimo episódio (S03E10). Caso queira participar, conecte as figuras dos dados na imagem a seguir através de um texto de 500 a 2000 toques (caracteres com espaços). Então, publique-o nos comentários desse post (e onde mais você quiser; afinal, o texto é seu). Para ver o regulamento completo, acesse o link a seguir:

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/17/regulamento-da-terceira-temporada-do-projeto-quarta-feira-criativa/

Os episódios anteriores dessa temporada podem ser acessados nos seguintes links:

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/24/quarta-feira-criativa-s03e01/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/31/quarta-feira-criativa-s03e02/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/09/07/quarta-feira-criativa-s03e03/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/12/21/quarta-feira-criativa-s03e04/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/12/28/quarta-feira-criativa-s03e05/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2017/01/04/quarta-feira-criativa-s03e06/

Preferencialmente, não leia o meu microconto antes de publicar o seu, caso esteja pensando em participar. Assim, você evita ser influenciado pela minha interpretação das imagens!

quarta_s03e07

Margarida atravessou a ponte?

Margarida morava com a mãe, a pessoa mais brava que conhecia. Sempre que lhe pedia algo, tinha que fazer na hora e nunca podia errar ou levava uma surra.

Quando precisavam comprar algo, a mãe mandava Margarida, que tinha que cruzar a ponte para chegar ao parco comércio da área.

— Não esqueça disso, nem daquilo! — repetia a mãe. — E, principalmente, confira o troco!

Às vezes, via algumas crianças brincando na água embaixo da ponte. Ela invejava aquela liberdade, invejava a amizade, invejava as risadas…

Um dia, em uma das idas às compras, duas crianças, uma com um aro para fazer bolhas de sabão e outra com um borrifador, brincavam ali. A primeira, fazia uma grande bolha, que ficava multicolorida enquanto voava e, logo antes que ela batesse na água do rio, a segunda borrifava água, estourando a bola flutuante. Ao fazê-lo, um arco-íris surgia no meio das gotículas no ar.

Margarida ficou maravilhada. Desde então, sua mãe nunca mais a vira.

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22 comentários sobre “Quarta-Feira Criativa S03E07

  1. Boa tarde, Palhão!
    Tudo bem?
    Estive pesquisando o preço dos barcos para Naufragados (Florianópolis) e encontrei uma variação entre R$10,00 e R$25,00.
    Acontece o seguinte: os preços variam de acordo com o movimento da temporada.
    Quando estive em Naufragados, fui pela trilha e voltei por barco. Naquele dia, baixa temporada, cada passageiro pagou R$15,00. Éramos seis ou quatro passageiros (não me recordo com precisão) e não havia 10 pessoas na praia!
    Desculpe-me a falta de precisão. Nesse caso, realmente, dependerá de muitos fatores e ainda da boa vontade do barqueiro.
    Saudações da Marilia e obrigada por sua atenção.

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  2. O primeiro passeio
    Quando eu tinha nove anos minha mãe fez um vestido baby look rosa pra mim. Era parecido com o que conhecemos hoje por trapézio, mas tinha uma golinha tipo cacharrel. Será que preciso explicar o que é cacharrel, também?
    Tinha uma florzinha pequena, na gola, que dava um charme especial ao vestido.
    Eu tinha permissão para sair sozinha, mas somente para ir e voltar da escola. Caminhava até o final da minha rua, atravessava e pegava o ônibus para o ponto final, que era na porta da escola. Na volta, atravessava a rua, pegava o mesmo ônibus e soltava na esquina da minha rua. Parece muito, mas para os anos 60, não era grande coisa.
    A professora avisou à turma que faríamos um passeio com a escola para visitar um museu. Tudo o que eu via era a oportunidade de sair com meu vestido baby look e minha bolsa nova. Era uma pequena sacola revestida com plástico com alça reforçada, onde eu carregava um casaquinho, um lanche e um lenço. Uma moça nunca sai de casa sem um lenço, dizia minha mãe.
    Do museu, não lembro absolutamente nada. Sempre tive esse dom de não escutar o que não me interessava, mas lembro de cada minuto em que usei o vestido, cada porta de vidro que parei para olhar meu reflexo, cada doce que comprei com a independência de algumas moedas e de cada vento de liberdade que soprou em meu rosto, antes de voltar para casa. Eu, minha sacola e meu vestido baby look.

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    1. Olá, Elaine!

      Apaguei a cópia desse texto que você havia publicado nos comentários do regulamento, ok?

      Obrigado pela sua participação!
      Não consegui identificar as imagens dos dados desse episódio (flor, arco-íris e ponte) no seu conto.
      Essas palavras devem ser usadas literalmente ou metaforicamente no seu conto para que ele concorra à seleção para a antologia.

      Pode manter esse texto aqui e, se quiser, pode enviar outro que use as imagens para entrar na seleção.
      Além disso, fique à vontade para participar dos outros episódios também.

      Atenciosamente,
      Lucas Palhão

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  3. Luz na multidão
    Exausta do próprio náufrago, ela acordara aquela manhã querendo ser sol. Fez questão de pisar primeiramente o pé direito sob o gélido chão. Um choque mínimo percorreu seu corpo, aquecido pelas cobertas por toda uma noite. O chinelo distante, então, puxado para perto. As cortinas róseas fechadas, tornando o quarto escuro, por mais que lá fora o dia já tivesse “começado” há umas boas horas.
    Levantou-se correndo, abriu a janela e debruçou-se sobre ela, visualizando o mundo além. Pessoas corriam apressadas na rua, três andares abaixo. Um senhor em trajes sociais avançava velozmente pela multidão. O céu sorria, graciosamente, presenteando o mundo em um belo arco-íris, em suas cores, tons e formas contrastantes ao azul chamativo, como quem grita para que lhe vejam o explendor. Ela se sentia assim, precisando ser notada. Precisando gritar para que vissem sua beleza infimamente exposta, visível aos poucos. Era flor perdida em “país” de cactos. Era olhos espirituosos e contemplantes em meio a multidões sem tempo.
    Faltavam-lhe elos, pontes, caminhos. Buscas na intercalação da rotina exaustiva e a diversão do pôr do sol. Soava lunática, ela sabia. Gostava de sair aos fins de semanas para sentar, solitária em uma praça, enquanto buscava resquícios de limpeza no ar tão poluído. Abraçava árvores em dias estressantes. Analisava o mundo. Alguns diziam que era uma dessas almas poéticas demais, ou que não entendia a realidade. Na verdade, ela realmente não entendia…
    Como entender, afinal, quando a rotina pesa mais que a emoção da serenidade de tudo o que o mundo lhe dá? Quando o celular valia mais que o azul gritante daquele céu, o dinheiro valendo mais que todo o ar limpo que os pulmões extasiavam-se ao sentir? Fechou a janela, puxou as cortinas e naufragou novamente. Talvez realmente visse tudo de forma irreal. Por mais maluco que soasse, ela queria que continuasse assim.
    (Permitido!)
    Obs: Oi, espero que se enquadre nas normas (quaisquer divergências, por favor, me avise. Todo sucesso ao blog e eu acompanhei todas as edições, finalmente vindo a participar. Parabéns pela iniciativa!)

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  4. O beijo
    É noite, o trem para sobre a ponte fazendo um barulho estridente nos trilhos. Em seguida todas as luzes se apagam lançando uma escuridão quase sólida. Uma voz no alto-falante avisa que o problema é temporário. Felizmente o ar-condicionado continua funcionando. Em pé e encostada à lateral do vagão, Gabriela abraça os livros contra o peito. Não a incomoda a escuridão, mas sim as pessoas que se encostam, as mãos que roçam suas pernas. Por isso encolhe-se abraçando os livros. Em algum lugar uma criança chora, um passageiro blasfema contra algum político, alguém pisa em seu pé e pede desculpas.
    De repente Gabriela sente algo tocar seu rosto, tenta afastar a cabeça mas o trem está muito lotado. O toque não é algo repugnante, é como se alguém estivesse fazendo carinhos com as pétalas de uma flor. Então sente um beijo na face. Vira-se indignada e sua boca toca em outra boca, no escuro. Abre os lábios para protestar e sua boca é invadia por um beijo doce e suave. Um beijo como ela nunca sentiu antes. Nada tem dos beijos dos garotos no colégio, beijos apressados e sem carinho, batendo dentes com dentes. Não, esse beijo é suave como seda, com lábios que parecem conhecer cada canto da sua boca. Um beijo que a faz ver estrelas e arco-íris. Gabriela fecha os olhos e se entrega.
    Um segundo antes das luzes acenderem os lábios se afastam. Gabriela abre os olhos e, meio envergonhada, procura nos passageiros próximos o autor daquele beijo mágico. Percebe que ao seu redor não existem homens ou rapazes, apenas garotas. Ninguém lhe devolve o olhar. Então recosta novamente, abraça os livros e pensa, entre surpresa e fascinada: “Eu fui beijada por uma garota!”.
    Embora Gabriela tenha pego o mesmo trem muitas vezes depois daquele dia, ela nunca descobriu quem era a dona do beijo. Mas naquele dia ela descobriu quem ela própria era.

    Título: O beijo
    Autor Lauro Elme
    Autorizo a publicação

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  5. A Garota do Prédio

    Era e ainda é até hoje costumeira essa atividade entre as crianças em todo o mundo uma brincadeira para as crianças e muitas vezes um incomodo para os adultos, afinal, quem nunca tocou uma campainha de uma casa, prédio e correra logo em seguida? Mais em uma pequena cidade do outro lado do mundo, essa travessura de criança fora marcada de maneira não tanto divertida assim….

    Todos os anos, somente na sexta feira 13, a garotada de uma pequena cidade próximo a Las Vegas, saiam de porta em porta apertando suas campainhas e dizendo:

    “Doces ou travessuras? Lá, lá, lá, lá, lá”

    Era e ainda é uma tradição de lá, crianças saírem para pedir doces de porta em porta, geralmente fantasiadas de algum personagem de terror. Todos na cidade participavam dessa atividade, se preparando para receber a garotada com doces ou travessuras. Apenas um homem, não entrava no clima, ele odiava crianças e as tratava muito mal sempre que alguma se aproximava dele ou do seu prédio.

    Sabendo disso, havia um grupo de crianças, na qual a pequena Ana fazia parte, que dedicava uma atenção especial a este determinado prédio em questão:
    Todos os dias no final da tarde, independentemente de ser ou não sexta-feira 13, eles apertavam a campainha dele e saia correndo. Isso irritava muito o velho de maneira descomunal, fazendo com que esbravejasse de maneira absurda da porta, jogando inclusive pragas e maldições verbais nelas, garantindo assim a diversão das crianças, que encarava aquilo tudo como uma eterna e divertida brincadeira.

    Mais as suas pragas e maldições jogadas não tinha nada de engraçado, nem muito menos fundos de brincadeiras, aquele homem as odiava profundamente, principalmente a pequena Ana, que ao que parecia, durante suas vigilâncias ocultas pela janela, era a cabeça da turma.

    Aninha, como era chamada pelos seus pais e amiguinhos, era implacavelmente levada. Como toda criança assim, ao notar que aquele velho não gostava da brincadeira, as chingavam e ainda por cima nunca dava doces, a irritava muito. Não havia muito a fazer a não ser devolver a gentileza, fazendo aquilo que o deixava furioso.
    Aninha tocava constantemente a campainha do velho, estando em grupo ou sozinha, não importava a hora em que passasse pela frente do prédio, era irresistível a tentação de apertar aquele bendito botão e fugir em seguida. Se na sua infância, nunca fez isso, então você simplesmente não sabe o que é adrenalina.

    Eles achavam aquele velho um bobão, chato e ruim. Em partes estavam certos, mais nem tanto. Se tem uma coisa que aquele velho não tinha nada, era de bobo. E assim era todos os dias, intensificando-se muito mais nos fins de semana, onde os pais ficavam sentados em suas varandas conversando, enquanto os seus filhos corriam para brincar.

    O velho já sabia mais ou menos os horários em que as crianças iam para rua brincar e se mantinha em prontidão em sua janela, vigiando, porém nunca conseguia pega-los.
    Mais ele prometeu na última sexta feira 13: ao invés de doces ou travessuras, aquele velho jurou a pequena Ana.

    “Um dia garota você não poderá correr e nem se esconder,
    Nesse dia seus amiguinhos e nem os seus xexelentos pais,
    Nem ninguém irá lhe proteger e ai finalmente eu vou lhe pegar.”

    Um forte vendaval passou e Ana sentiu o peso daquelas palavras cortantes, em seus pequenos ouvidos, juntamente com um enorme calafrio, seguido de um breve pequeno pavor, ela nada lhe disse, como fazia rotineiramente, e foi devagar descendo os degraus porém sem dar as costas, e sem tirar os olhos do velhote que se mantinha lá prostrado na porta com uma cara que ela jamais virá na vida, monstruosa e perversa.

    A pequena Aninha passou alguns dias sem tocar aquela companhia, assim como seus amiguinhos, todos ficaram amedrontados com o relato da menina, mais isso durara pouco tempo, afinal, a pequena Ana tinha somente 6 anos de idade, assim como os demais garotos.

    Um certo dia, em um belo final de tarde, onde o sol de verão ainda brilhava alto, apesar de já ser noite, o mesmo teimava em se pôr, a Aninha saíra para brincar na rua como de costume, porém sozinha, seus amiguinhos todos haviam ido para colônias de férias ou para lugares distantes com suas famílias. Apesar de haver outras crianças lá, não era a mesma coisa, não era a sua turminha.
    Nesse dia seus pais que costumavam ficar na varanda admirando o pôr do sol e vigiando a menina, inusitadamente não repetirá esse ato, estavam lá dentro ocupados com outras coisas.

    A rua, estava atipicamente vazia, já que a maioria da vizinhança havia viajado. Como era final de verão, folhas de cores alaranjadas já começavam a cair vagarosamente das árvores e apesar do sol está ainda alto, ventava e o vento fazia com que as folhas voassem, pairassem no ar, fazendo muitas vezes lindos redemoinhos. A pequena Ana descendo sozinha a rua, pensando em que e com quem iria brincar, parou estranhamente pela primeira vez para admirar aquilo, abaixou-se pegando uma das folhas ficando ali algum tempo, longo, comtemplando sua beleza, sua forma e sua linda cor, com os olhos brilhando e braços abertos, girava igual no mesmo sentido, que os redemoinhos, desejando talvez voar como eles, ela girou, girou, juntamente com os redemoinhos de folhas e acompanhada com suas tranças e a saia do seu vestidinho azul bebê. Silencio, bem estar, contemplação, paz e só. Foi tudo o que a garotinha sentirá pela primeira vez, além de uma misteriosa sensação de despedida, será que do verão?

    Após esse momento, no qual ela nem sabe o quanto durou, Aninha decidiu que a melhor brincadeira para ela que estava só era: tocar a campainha daquele velho ranzinza. Afinal quando foi mesmo a última vez que ela fizera isso? Já estava na hora de volta, ela já descansara demais.

    O que a pequena Ana não sabia, era que, aquele velho não descansara nada. Estava obcecado pelas crianças, especialmente por Ana, ansiava se vingar de qualquer maneira, e para isso passará todas as tardes religiosamente da sua janela no segundo andar, do seu quarto, vigiando, estudando, seguindo todos os passos, aguardando pela hora certa, Ana mal sabia o que a aguardava, ele prometera e promessa para ele, era dívida.

    Passos lentos, silencio no ar, assobio forte e assustador do vento ao mesmo tempo, em que o sol se crava ao longe.
    A garota olha para o prédio, aparentemente vazio ou quem sabe até cheio de pessoas ocupadas demais para estarem em suas janelas.
    Ela olha para janela do velho e tudo está escuro, será que estava acordado? Não importa, Ana apenas queria sentir o gostinho daquele botão novamente.
    A ventania aumentara e seu assobio também, fazendo com que Ana olhasse para os lados assustada, com a sensação de que alguém a estava observando…mal sabia ela que sim, desde o início.

    Luzes apagadas, água, biscoitos na mesinha para o caso de fome, lápis, blocos de notas, binóculos apostos e o mais absoluto silencio. Para todos os efeitos não há ninguém em casa ou talvez eu deva ter me recolhido mais cedo…passo meses, semanas ou quem sabe dias a observar, vigiar, cronometrar cada passo daquela maldita garota e seus amiguinhos a espera de uma chance. Não consigo dormir, nem remédios surtem efeitos, aquela maldita campainha blém blom, blém blom, não consigo para de ouvi-la, assim como os malditos passos delas correndo, aquela garotinha, aquela maldita, ela começou isso!
    Tirando-a do meu caminho, os outro também irão para com certeza.

    Esperei pacientemente, dia após dia, até finalmente conseguir a chance que precisava: a rua está vazia, só o vento e as folhas lhe fazem companhia e até mesmo os seus pais não estão na varanda para protege-la, chegou a hora dessa garotinha me pagar, e depois ai sim, poderei dormir.

    Passos lentos, silencio absoluto, respiração presa, assim que a avisto vindo no meio da rua brincando com as folhas, posição de ataque, sei para onde ela virá. Deixo a porta entre aberta a espera daquela maldita campainha.

    A campainha é tocada rapidamente como de costume, apesar do silencio e do assobio do vento estranho e do medo que a garota está sentindo, ela venceu, ela toca encosta seus dedinhos naquele bendito e redondo botão vermelho. O que Ana não sabia é que essa vitória poderia ser cara demais.

    Toco a campainha e me viro para correr o mais depressa que posso! Olho para trás e vejo o velho parado olhando para baixo e não para mim, não entendo o porquê, só quero apenas de repente ir para casa. Entro falo com a mamãe mais ela parece zangada, nem sequer olha par mim e nem fala comigo, será que já ligaram para contar o que fiz? De repente vejo alguém a porta, é uma vizinha, do mesmo prédio do velho, estou frita. Falo com a mamãe, chamo ela, grito, mais ninguém me ouve, porque? Se o que fiz foi tão grave, me desculpe…meu pescoço dói muito e a cabeça também, não sei o motivo, mais ainda assim sigo a mamãe para ver o que de tão grave aconteceu a ponto dela nem sequer olhar para mim.

    Polícia, faixas amarelas, daquelas de filmes, muitas pessoas em volta, todos os vizinhos e até mesmo algumas das crianças do bairro, vejo aquele velho algemado e sendo levado a viatura dizendo:

    “Eu não pretendia, era apenas um susto e nada mais.
    Eu não queria…”

    Todos choravam muito, porque? E o velho, porque apanhou tanto? E porque tanto sangue?

    De repente minha mamãe grita meu nome completo, coisa que ela só faz quando está muito, mais muito zangada, preciso ir!

    “Ana Ritaaaaaa
    Não! Minha filha não”!

    A dor no pescoço aumenta e minha cabeça começa a doer muito, parece explodir – mamãe me ajude estou aqui!
    Até que de repente, eu começo a me lembrar: estava com medo, tive a sensação de que algo estava errado, mais olhei para todos os lados e não vi ninguém. Passos lentos, silencio absoluto, quase nem respirei para ninguém me pegar. Toquei a campainha e depressa virei-me para correr, mais não sei como, da onde ele saiu, mais estava lá o tempo inteiro, corri o mais depressa que pode, mais uma perna estava no caminho, quem deixara ela lá?
    Cai como uma fruta pesada que cai do pé e lembro do meu pescoço doer muito, escuridão e corri assim mesmo para casa com medo de dormir na rua.

    Será que a mamãe algum dia vai voltar a falar comigo? Ainda estou aqui.

    Olha só quem voltara para casa…hora de brincar.

    Após o acidente, ela resolveu que só sairia para brincar de novo nesse dia, pois sua mamãe andava muito triste e precisava dela
    Sexta feira 13: Todos os anos neste mesmo dia, todos no prédio podem ouvir a voz de Aninha dizendo:

    “Doces ou travessuras Há há há há “

    Sr. Smith desesperado tentava fugir mais ainda assim ouvia a voz da menina dizer:

    “Você pode correr, mais não pode se esconder
    Lá la la la la”

    Pouco a pouco o prédio a cada ano esvaziava, mais Aninha não o abandonara, todos os anos ela ia lá para brincar, agora estava ótimo, tipo casa mal assombrada, mais ela não tinha medo, não precisava mais disso.

    “O velho louco”, assim era chamado, não tinha família e nem para onde ir, por isso apesar de ser odiado por todos não saíra dali. Mas uma sexta feira chegando, ele não suportava mais, sonhava com aquela garota, aquele episódio todos os dias, mais na sexta era o pior de todos, pois era o único dia em que a voz dela, seus passos lentos, sua risada infantil, inocente e o tocar da campainha, não fazia somente parte dos seus sonhos. Chegara a registrar queixa na delegacia, pedir para ser preso novamente, porém ninguém lhe dera ouvidos. Não era somente o velho que ouvia Ana, todos do prédio a ouvia, cantar, sorrir, pedir doces ou travessuras, correr, tocar campainhas, chorar, chamar pela mamãe que nunca viria.

    Essa sexta iria ser diferente: ele iria enfrenta-la não ficaria mais escondido esperando ela ir embora, iria lá fora e resolveria tudo, vai ver ela nem estava lá, era tudo coisa da sua cabeça.

    Passos lentos, campainha tocando, risos, doces ou travessuras.

    Tamanho foi o horror que aquele velho sentiu, ao abrir a porta e dar de cara com a garota, com suas mãozinhas estendidas, carinha inocente, cabelo de tranças com fitas e aquele mesmo vestidinho azul bebê. Ele correra desesperadamente escada acima, não para o seu apartamento, e sim, para o terraço do prédio.
    Passos lentos, respiração ofegante, olhar de suplica, desespero e arrependimento, vontade de voltar no tempo, um tempo no qual não poderia jamais.

    “- Não por favor! Me perdoe, não foi minha intenção, vá embora, por favor…me deixe em paz!”

    “Doces ou travessuras!
    Doces ou travessuras!
    Doces ou travessuras!
    Pode correr mais não pode se esconder, não mais velho.”

    Ele suplica andando para trás, enquanto a garota pede incansavelmente pelos doces nos quais lhe foram negados por ele a vida inteira, se aproximando cada vez mais. Ele grita por socorro, vizinhos saem de suas casas, porém ao olhar para cima o ver sozinho no parapeito do prédio como se estivesse sendo encurralado por alguém, mais eles não conseguem ver nada, apenas ouvem as vozes tanto da menina quanto a dele, uma de desespero, outra de diversão e inocência. Até que alguns novos moradores que não sabem do ocorrido no passado invadem escada acima para socorre-lo, porém, era tarde demais.

    Sr. Smith se jogará do prédio, sofrendo uma parada cardíaca fulminante, antes mesmo de chegar ao chão, seu corpo ainda agonizava após o impacto, parecia estar lutando contra alguma coisa apesar de não se encontrar mais com vida. E para surpresa de alguns, não havia simplesmente ninguém lá em cima.
    Sr. Smith fora enterrado com o auxílio de alguns novos moradores, nos quais também prestigiaram o seu enterro, já que não possui amigos nem parentes. Morrera aos 69 anos.

    Hoje o prédio apesar de abandonado, até hoje todos anos, na mesma sexta, ainda se pode ouvir pelas ruas a pequena Aninha correndo, pedindo doces ou travessuras e chorando por sua mamãe que nunca irá chegar.

    Relatório policial:

    De acordo com relato de vizinhos e o depoimento do próprio Sr. Smith a pequena Ana era uma garota alegre e muito comunicativa e amada pelos pais. Costumava ela assim como os garotos da vizinhança, tocar as campainhas dos prédios e saírem correndo para se divertir. O Sr. Smith demonstrando um comportamento psicótico, passou a vigiar os garotos em especial a garota a fim de segundo o mesmo, se vingar por tocarem a sua campainha. Passou meses estudando os passos da pequena Ana (era assim que todos a chamavam), até encontrar a oportunidade exata para agir. Ao tocar a campainha sozinha do prédio, Ana não notou que alguém a esperava escondido, esse alguém era o Sr. Smith, o mesmo colocara a sua perna no caminho, fazendo com que a garota tropeçasse, caindo da escada, quebrando o pescoço, indo a óbito imediatamente. A vizinhança o linchou e graças a chegada da polícia, sua vida foi poupada, sendo preso em flagrante. Chegará a ser detido, porém sua fiança foi paga, retornando para casa. Ana Rita era branca, cabelos castanhos, longos, estava com duas tranças lado a lado, usando um vestidinho azul bebê e segurando uma folha alaranjada nas mãos, tinha apenas 6 anos.

    Lindaiá Campos

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  6. Decepção não digerida

    Clara estava muito feliz, pois, finalmente, Pedro a convidara para sair. Bom, na verdade, não foi bem um “convite para sair” propriamente dito. Deixe-me explicar, porque este é um bom exemplo sobre interpretações errôneas e expectativas (e como devemos evitá-las). Estavam os dois conversando na saída da escola (os dois mais um grupo de amigos de mais de dez pessoas) quando Clara soltou aquele:

    – Então, acho que vou indo para casa.
    – Você mora perto do mercado do Antônio, né, Clara? – Pedro perguntou, assim, como quem não quer nada.
    – Sim, bem do ladinho. – Clara estava empolgada por Pedro estar falando diretamente e exclusivamente com ela. Observem que aí a chama da expectativa já começou a se criar.
    – Você vai pela Ponte das Laranjas?
    – Sim, sempre vou.
    – Vou com você então, têm umas coisas boas por ali.
    Por coisas boas Clara entendeu romance, belezas naturais, banquinhos para sentar e conversar. Observem que neste momento a expectativa estava crescendo.
    Os dois foram caminhando, conversando de muito pouco a quase nada. Havia um chuvisco, mas nenhum dos dois se importou muito. Quando chegaram na Ponte, um arco-íris coloria o céu. Um cenário perfeito. Então, Pedro colheu uma margarida que crescia no início da ponte. Observem que a expectativa de Clara agora alcançava níveis máximos. Pedro cheirou a Margarida, sorriu. Então, a comeu. Pedro comeu a margarida.
    Clara não entendeu.
    Pedro colheu mais margaridas. E as comeu.
    Clara estava no chão (metaforicamente).
    Pedro estava satisfeito. As margaridas eram suas prediletas.
    Clara o encarava, estupefata.

    Observem que, mesmo se Clara não tivesse absolutamente nenhuma expectativa acerca das intenções de Pedro, essa história continuaria sendo extremamente bizarra.

    Às vezes a expectativa não é tão importante assim.

    Instagram: @louiseenriconi
    Permitida publicação

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  7. A Prova

    Corre vagaroso o rio em seu leito. Sob uma ponte passam aquelas águas, sob a ponte onde há uma flor. A flor é verde, é vermelha, é anil… Ela é azul, é da cor do arco-íris.

    Perto dali, mancebo apaixonado tenta ser persuasivo, a perseverar pelo amor de jovem dama.

    — Cláudio, você não me ama. Você mente. — A moça recusa às juras do rapaz.

    — Isso não é verdade. — Cláudio reluta.

    — Então vai atrás daquela flor e traz ela pra mim, se não é verdade.

    Frente ao desafio, Cláudio não hesitou. Foi com firmeza atender ao pedido, mas ao primeiro passo ele tropeçou, e pelo barranco saiu a rolar, caiu dentro do rio, no fundo sua face à lama encontrou.

    Demorou-se Cláudio a se recompor, percebera o moço que sua paixão foi embora.

    Fez ele papel de palhaço.

    Pobre rapaz!

    (Autorizo o conto para publicação, mediante citação da autoria)

    Autor: Luiz Batista

    Perfil no Face: http://zip.net/bntFkT

    Desde já, agradeço pela oportunidade.

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  8. O roubo da flor.

    Sob a ponte, corre o rio e sobre o rio, mora uma flor.

    De dia tem cheiro de amor e reflete o arco-íris nas suas pétalas.

    De noite, cintila com o espírito dos apaixonados.

    Reza a lenda que a flor é uma moça de cabelos dourados, que foi traída e teve o coração quebrado. Seu choro se transformou no rio de águas translúcidas e ela jurou prometer o coração das moças. Aquela que se aventurar a retirar uma de suas pétalas e a manter em segurança, nunca mais passará por uma desilusão amorosa.

    Gabriela chorava ao caminhar pela margem do rio. Um pontinho brilhante lhe chamou a atenção e ela gelou ao ver pétalas brancas emergirem. Estavam a um esticar de dedos de distância.

    Certificando-se de que não havia ninguém por perto, tomou a flor nas mãos e apertou-a contra o peito, soltando um grito de conquista e felicidade. Para sarar aquela dor, não precisaria de uma pétala, mas da obra inteira. Tão rápido quanto conseguiu, escapuliu-se dali, já sorrindo, ignorando a culpa que corroía as pontas dos dedos, enquanto desenhava todo um novo futuro para ela e somente ela.

    Autora: Giovanna Cuzziol.
    Prateleira de Vidro (https://prateleiradevidro.wordpress.com/)
    publicação autorizada

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  9. O Esconderijo

    Quando teve certeza que não estava vendo, Alice entrou novamente no bosque e através de alguns troncos marcados com um corte em “x”, encontrou o caminho para uma clareira bem escondida entre árvores frondosas e arbustos onde passava um riacho. Sobre ele havia uma pequena ponte de madeira que atravessou e seguiu na direção de uma velha cabana construída no interior de um gigantesco tronco de árvore. Abriu a porta de madeira da velha casa-árvore e suspirou aliviada ao sentir aquele cheiro tão familiar. Ali era seu lugar secreto, seu refúgio da correria da cidade grande. Ali podia ser quem quisesse. Sentou em uma poltrona que havia no meio da sala principal da cabana e por alguns segundos fechou os olhos. Finalmente olhou para os quadros nas paredes que havia pintado e para as telas de pintura em branco na sua frente. Tinha muito trabalho a fazer. Naquele dia iniciou pintando uma pequena flor, depois a flor se transformou em um arco-íris que virou um redemoinho. Por fim, ela viu seu próprio rosto na pintura.
    Tinha olhos tão tristes!

    Página do face: Monstros e Fantasias.
    Autorizo a publicaçao com a citaçao da autoria.

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  10. Título: Carnaval Macabro IV
    Parecia que iria acontecer algo especial entre os dois. Conversaram muito durante a festa e no final trocaram telefones, Ricardo pediu muito para saírem de novo. Aquele ano seria diferente, Ana finalmente conseguiu passar o carnaval no Rio de Janeiro. Sua noite foi incrível. Não era qualquer dia que se conhecia um homem como Ricardo, com certeza iria ligar para ele. Saiu da festa e chamou um táxi que passava na rua naquele momento. Ah, que azar. Se não tivesse entrado naquele carro, talvez Ricardo receberia aquela ligação.

    Facebook: https://www.facebook.com/kayo.augustos
    Página de Minicontos: https://www.facebook.com/FolhasMacabras/
    (Caso seja selecionado, por favor divulgar a página).
    Autorizo o conto para publicação, mediante citação da autoria

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