Quarta-Feira Criativa S03E08

Este é o oitavo episódio da terceira temporada da Quarta-Feira Criativa. Participem!

Regulamento:

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/17/regulamento-da-terceira-temporada-do-projeto-quarta-feira-criativa/

Episódios anteriores:

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/24/quarta-feira-criativa-s03e01/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/31/quarta-feira-criativa-s03e02/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/09/07/quarta-feira-criativa-s03e03/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/12/21/quarta-feira-criativa-s03e04/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/12/28/quarta-feira-criativa-s03e05/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2017/01/04/quarta-feira-criativa-s03e06/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2017/01/11/quarta-feira-criativa-s03e07/

 

quarta_s03e08

Carga leve

Cheguei ao aeroporto no fim da noite, debaixo de uma tempestade torrencial. A única vantagem disso era que não seria meu chefe que atrasaria o voo, mas, sim, a chuva.

Andei muito até chegar à segurança, onde ele havia sido detido.

— Aqui está a chave, chefe. — Era para a mala suspeita.

Ele a abriu, conforme pedia a segurança. Vasculharam-na, por fim, retirando de lá uma caixa de sapatos dentro de um saco hermético.

De onde eu estava, não consegui ver o que havia lá, porém vi o guarda quase vomitar. Meu chefe aproveitou para embalar e voltar tudo para a mala, saindo discretamente enquanto o guarda se recuperava.

Finalmente, meu chefe conseguira embarcar e eu voltei para casa.

*

No dia seguinte, bem cedo, recebo uma ligação.

— Alô? — atendi sonolento.

— Matias, minha mala foi extraviada.

— O senhor já falou com a empresa?

— Já. E vão levar quarenta e oito horas para que a recuperem.

— E o que mais eu poderia fazer, então?

— Contar para eles que há ratos de laboratório mortos na mala. Só não digo eu mesmo porque podem querer arranjar confusão comigo. Transporte de perecíveis, perigo biológico, sabe como é…

Concluí que estava na hora de mudar de emprego.

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13 comentários sobre “Quarta-Feira Criativa S03E08

  1. Surpresa

    A tempestade estava forte naquele dia, a esperança de encontrá-la estava se esfriando assim como a temperatura lá fora, alguns minutos depois não se ouvia mais os grossos e intensos pingos de chuva no telhado, então peguei minha mala ao lado do sofá e sai de casa em direção a rua, um táxi parou para mim assim que voltou a chover, então rumei para o aeroporto.
    – Espero que ela ainda esteja bem quando eu lá chegar. – Disse enquanto me sentava na poltrona do avião, o meu lugar era justo na janela que naquele momento estava aberta, então a fechei, não era prudente que ficasse olhando para fora, o meu medo não permitia.
    Algumas horas de voo e cheguei ao meu destino, sai apressado do avião, do aeroporto, tomei outro táxi e segui para casa de minha mãe. Tudo estava como sempre esteve, fiquei impressionado, e chocado ao ver que a porta estava trancada, mas um estalo na mente me fez lembrar de onde a chave sempre ficava.
    – Será que ainda está aqui? Tudo mudou, as cidades ficaram perigosas, ela não manteria o mesmo hábito. – Me perguntei enquanto procurava a chave da porta embaixo do tapete.
    Minha mãe ainda mantinha o mesmo hábito. Coloquei a chave na fechadura, e abri a porta, levei um susto ao ver as luzes se acendendo, e uma salva de palmas seguido de um parabéns em coro. Era meu aniversário, e todos alí estavam. Minha mãe surgiu entre as pessoas e me deu um forte abraço.
    – Feliz aniversário, e me desculpe pela pequena mentirinha. – Disse minha mãe esboçando um sorriso iluminado.

    Curtido por 3 pessoas

  2. Um dia desses, aconteceu uma coisa curiosa comigo… Estava eu, indo para o local onde ministro aula, quando uma abundante chuva caiu sobre mim. Chuva, chuva e mais chuva, estava quase toda molhada, eu disse quase, porém um carro mudou essa situação, quando em uma velocidade desnecessária tornou o “quase” em completamente alagada, a rua e eu. Cheguei a pensar que ia chorar, depois senti profunda raiva, em fim desatei em risos, enquanto o meu chefe, preocupado, ofereceu-me um pano para que eu enxugasse minha roupa, todavia, não adiantou muito; eu continuava encharcada com água da chuva.
    Olhei para uma aluna ao mesmo tempo em que ela analisava minha reação em relação ao acontecido, simplesmente sorri para ela e afirmei que naquele dia havia “banhado” duas vezes seguidas. Como não existia solução para aquela circunstância, sorri, ri, gargalhei, não podia perder a piada, afinal sou cronista, sou crônica todo dia, e em uma situação “crônica” como está um cronista deve “achar graça no irrisível”, precisa ironizar a situação, para torná-la mais leve, necessita rapidamente, assim como é o tempo da crônica, tornar choro em riso, lágrimas em gargalhadas; a chuva em piada.
    O cronista ri tanto dos outros, que antes de tudo precisa ri de si e provar que tudo na vida pode ser transformado em alegria. Falando nisso, o céu já está nublando, vou pegar meu guarda-chuva!

    Título: DIA DE CHUVA 1
    Autor: Fernandes Lima
    Publicação: Autorizada

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Silmayra.

      Obrigado pela participação!

      Posso até considerar que a chuva corresponde ao dado com o raio, mas não consegui identificar a figura do avião e nem da chave no seu conto.
      É necessário que você utilize todas as imagens dos dados para que o texto concorra a entrar na antologia, ok?

      Qualquer dúvida, estou à disposição e fique à vontade para enviar outro texto para esse e para os outros episódios.

      Atenciosamente,
      Lucas Palhão

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  3. A Dona do Dia

    O Sol guardou os raios quando Ana riu, teve inveja dela o dia. Era ela um avião, linda morena, em suas curvas os olhares faziam morada. Queriam todos o amor daquela mulher. O amor daquela mulher, todos queriam. Feliz o homem que tivesse a chave de seus anelos.

    Enchia-se a rua (sempre) de novos ares, quando ela ali passava. Os carros espalhafatosos buzinavam. Muito dispostos os vendedores sorriam, enquanto nos bares, ébrios lhe faziam batuque e canção.

    — Quisera eu ser o tecido adornado por esse corpo, pra passar o dia saboreando o toque da tua pele. — Sem pejo, surgia mais um admirador de Ana em meio à turba. Querendo um beijo, o gracejo arrancou um sorriso da fêmea boca.

    Ganhara o dia aquele rapaz.

    (Autorizo o conto para publicação, mediante citação da autoria)

    Autor: Luiz Batista

    Perfil no Face: http://zip.net/bntFkT

    Desde já, agradeço a oportunidade.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Superstição cibernética.

    Mário estava prensado na poltrona do avião. Aos quarenta e sete anos de idade, só havia feito outras duas viagens nessa monstruosa lata aérea. Morria de medo e sempre dava um jeitinho de se livrar. Nessa em questão havia, claramente, falhado.

    Estavam prestes a pousar. Geralmente, ele daria graças aos céus. Mas hoje teriam que passar por uma tempestade. Entrariam na maldita, dançariam com os trovões e seriam atingidos por gotas de água do tamanho de suas cabeças. Ó, céus, ó, céus. Que morte horrorosa para um grupo de pessoas tão agradável como aqueles seres humanos que não conhecia.

    Conseguiu olhar de soslaio para a sua filha e, um pouco mais adiante, para seu marido. Os dois riam e conversavam, quando perceberam que eram observados. A menina de seis anos, sabendo de seu medo e percebendo sua ansiedade, virou-se para Mário com um sorriso de “eu vou resolver tudo” estampado no rosto.

    – Não se preocupe, papai. Li na internet que se você carrega uma chave de plástico no bolso esquerdo, nada de ruim pode te acontecer em um avião. Olha só, tenho algumas extras. Toma uma pra você. – Ele só conseguiu sorrir nervoso e olhar com ternura para a filha que estendia uma chave verde de brinquedo. Aquela era a coisa mais absurda e estúpida que já havia escutado.

    Voltou a olhar para frente, atravessando o corredor e se concentrando em uma televisão que passava um filme qualquer. Ele engoliu em seco. Averiguou os dois lados. Franziu o nariz. Por precaução, escorregou a chave para o bolso esquerdo. Um pouco de superstição não faria mal, não é mesmo? Até porque, se estava a internet, deveria ser verdade.

    Autora: Giovanna Cuzziol.
    Prateleira de Vidro (https://prateleiradevidro.wordpress.com/)
    publicação autorizada

    Curtido por 1 pessoa

  5. Um conto só para meninos

    Meio caroço de abacate e palitos de fósforo, espetados como braços e pernas, faziam um soldado. As coroas do rei e rainha eram tampas dos frascos de dentifrício e as capas pedaços de panos dependurados. Reis e soldados eram frágeis e, se sofriam arranhões na batalha, esses ficavam vermelhos feito feridas abertas.

    Fazíamos papagaios de papel, com taquaras de bambu, congestionando o céu nos dias de vento e jogadores de times de botão, com pedaços de plástico derretidos dentro da forminha de Leite Ninho. Goleiros e troféus eram caixas de fósforos enfeitadas e as patinetes e carrinhos, com rodas de rolimãs, soltavam faíscas e faziam um barulho infernal deixando riscos nos passeios.

    Tínhamos a chave de uma outra realidade e construíamos nossos brinquedos sem sonhar o tempo virtual que estava por vir, quando animações digitais e videogames em três dimensões tomariam lugar das nossas histórias simples, contadas por mãos pequeninas de crianças correndo pelas ruas quase desertas de automóveis. Um mundo onde a arte dos carpinteiros-meninos já não encontraria mais lugar, nem vez.

    Luiz Walter Furtado

    Curtido por 1 pessoa

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