Quarta-Feira Criativa S03E10

Este é o último episódio da terceira temporada do Projeto. Em breve, teremos mais uma antologia com microcontos de diversos autores saindo do forno! Não perca tempo: participe e compartilhe!

Escreva um microconto de 500 a 2.000 caracteres conectando as imagens dos dados na figura a seguir. De preferência, não leia meu microconto antes de escrever o seu para que você não seja influenciado 🙂

Regulamento:

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/17/regulamento-da-terceira-temporada-do-projeto-quarta-feira-criativa/

Episódios anteriores:

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/24/quarta-feira-criativa-s03e01/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/31/quarta-feira-criativa-s03e02/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/09/07/quarta-feira-criativa-s03e03/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/12/21/quarta-feira-criativa-s03e04/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/12/28/quarta-feira-criativa-s03e05/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2017/01/04/quarta-feira-criativa-s03e06/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2017/01/11/quarta-feira-criativa-s03e07/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2017/01/18/quarta-feira-criativa-s03e08/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2017/01/25/quarta-feira-criativa-s03e09/

quarta_s03e10

Emboscada

Nosso acampamento foi atacado pelos ogros à noite. A fogueira projetava nossas sombras nas árvores ao redor da clareira, dando a impressão de que tínhamos a mesma altura que os inimigos. Mas não era verdade: os braços dos ogros eram do tamanho de nossas pernas.

A companhia dos Arqueiros Escarlates vinda da foz do Gan, a minha companhia, entrou na formação de defesa cinco estrelas: cada um de nós cinco em uma das pontas ao redor da fogueira, o mais distante possível da mata.

Um ogro entrou na clareira para nos atacar e levou uma flechada minha no olho, tombando aos meus pés. Mais de dez deles atacaram. Três colegas caíram em batalha até limparmos a clareira novamente.

Ateei fogo a uma de minhas flechas e a atirei em um tronco. Meu companheiro copiou meu exemplo e repetimos o processo até que houvesse apenas uma pequena faixa de árvores sem flechas em chamas.

Tivemos que derrubar mais cinco ogros até que o fogo nas árvores impedisse que os monstros entrassem. Pegamos algumas flechas dos caídos e, com os arcos preparados, saímos correndo da clareira pela abertura que deixamos.

Dali em diante, foi fácil. Tínhamos que derrubar apenas um ou outro ogro no caminho. Como estávamos cercados, os outros deviam estar paralisados, sem saber como entrar na clareira, ou talvez fugindo do fogo.

Chegamos às docas e saltamos para dentro de uma das canoas. Assim que peguei um dos remos, ouvi meu colega gritar. Ele havia sido pego pelo maior ogro que eu já tinha visto. Arremessei o remo na esperança de atingir o monstro, mas fracassei. Puxei o arco e uma flecha e a atirei no joelho do monstro, fazendo-o grunhir. Não conseguiria atingi-lo no tronco ou cabeça, pois ele levantava meu companheiro em direção à sua boca. Em uma tentativa arriscada, atingi o ombro da fera e o outro arqueiro escarlate terminou o serviço arrancando a flecha e enfiando-a em um dos olhos da criatura.

Perdemos mais da metade da companhia, mas escapamos com vida. Os ogros não perdiam por esperar.

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40 comentários sobre “Quarta-Feira Criativa S03E10

      1. Título: No leito de um hospital

        Estava desolado, com frio e sentia dó de si mesmo. Virou a cabeça para a esquerda e só ouvia o barulho da máquina que monitorava seus batimentos. Observou que os números que a máquina mostrava iam diminuindo gradativamente. Sentiu de súbito um formigamento no braço direito. Alisou o braço com sua mão esquerda e fez passar o formigamento. Olhava para o teto branco iluminado por uma luz fraca. Imaginava um céu ali. Passou a pensar na sua história de vida, nos seus feitos. Afastou logo os maus pensamentos. Se ateve na infância. Relembrou momentos esquecidos há décadas… lembranças miúdas, mas consoladoras.

        O formigamento voltara, e agora acompanhado por uma dor no peito. O problema não era nem tanto a dor, com ela ele se acostumou, estava mais preocupado com o formigamento. Ele nunca sentira aquilo antes. Era chato! Tirava o juízo! Esfregou o braço com força e, quando ficou cansado, voltou a relembrar de sua vida. O passado era, naquele cubículo de hospital, seu mais fiel amigo.

        O maldito formigamento aumentou e não deixava-o pensar em nada, trazendo-o de vota à realidade. Sentia que, aos poucos, sua energia vital estava se esvaindo. Quis olhar para a máquina, mas teve medo que ela lhe dissesse quanto tempo de vida ainda tinha. Achou melhor fechar os olhos e buscar um paraíso.

        Autor: Antônio Matheus Lima Bezerra
        Link do facebook: https://www.facebook.com/antoniomatheusxy
        Autorizo a publicação do conto.

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  1. Vamos tentar, então…

    “O que o monstro do fogaréu lambeu

    Quando o apartamento estava sendo colocado em ordem, quando o garoto estava colando o papel de parede na parede do meu futuro quarto, o papel não colou, o ventilador desencadeou alguma reação química com a cola, o papel pegou fogo, o papel enroscou no garoto, o garoto pegou fogo, o apartamento pegou fogo. Minha mãe, lá embaixo a tempo, chorava sem saber o que estava acontecendo no apartamento pegando fogo com o garoto dentro. Lá embaixo a tempo, o tempo de um triz, chorava enquanto lhe diziam que ela estava me perdendo. De dentro do meu oceano uterino, eu não estava quase conseguindo viver. Os bombeiros vieram rápidos como uma flecha, mas o papel tinha enroscado no garoto, disseram, e o monstro do fogaréu já tinha lambido tudo. Na primeira morada que estavam construindo para mim, pegou fogo um garoto e ninguém nem sabia onde era a casa dele.” (886 caracteres com espaços)

    Divulgação do blog: https://boiaclara.wordpress.com/

    Autorizo republicação na antologia.

    (Tá certo?)

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    1. Legal, Clara!
      Tudo certinho.
      Se muitos textos forem enviados, terei que escolher apenas alguns.
      Então, se o seu estiver entre eles, vou colocar na antologia corrigindo alguns detalhezinhos, aí peço pra você reaprovar, ok?

      Muitíssimo obrigado pela participação!
      Se puder ajudar na divulgação, agradeço imensamente.

      Abraço!
      (Ah, tem 9 episódios para trás dos quais você ainda pode participar ;))

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    1. One day, this project will be famous enough and I will have sponsors. Then, I will be able to give a PS4 (or a PS5 at the time) as a prize for the best flash fiction 🙂

      Stay tuned!
      I intend to relaunch this contest in English soon.

      Curtido por 2 pessoas

  2. Caro Lucas Palhão,

    Aqui vai o meu Microconto. Espero que esteja dentro do âmbito deste desafio. Neste caso o texto tem uma imagem que colocarei no meu Blog. Não sei se será possível adicionar a imagem.
    Um abraço amigo,
    Alfredo Sá Almeida

    “O Dinheiro ou a Vida.

    Esta é uma frase típica de um assalto. Infelizmente muitas Pessoas são assaltadas todos os dias, do qual resulta algum dano ou perda para o assaltado. Normalmente causa revolta e raiva porque a vida ficou em risco e o dinheiro custa muito a ganhar.

    Mas se a interrogativa indireta colocada passar a ser uma interrogativa direta?

    O Dinheiro ou a Vida? A Pessoa não deixa de ter de tomar uma decisão importante. Só que nesta situação poderá existir mais tempo para ponderar as alternativas, refletir e escolher o caminho de vida que quer seguir.

    Pode até acontecer que num futuro, não muito longínquo, a questão colocada seja ainda mais grave: A Água ou a Vida? Neste caso estamos perante uma situação extrema porque não existe Vida sem Água. E, a resposta só pode ser uma.

    No dia-a-dia desta nossa vida, pessoal ou profissional, quantas vezes somos colocados perante questões que não têm alternativa. Somos conduzidos por Pessoas (?) a tomar decisões, mais ou menos rápidas, que nos afetam a vida e, muitas vezes, o futuro e os sonhos de uma vida.

    Os meus Leitores dirão: mas isso não deveria ser permitido! Pois é, mas acontece com mais frequência que o desejado. A liberdade passa a estar condicionada e com ela a Vida e a sua condução para o futuro.

    Quando e como é que nos deixámos envolver, ludibriar, enganar, etc. até ao ponto de perdermos a Liberdade, a Dignidade e a Autoestima? Vou arriscar uma resposta polémica! A partir do momento em que nos deixámos dominar pelo Dinheiro!
    Tantas vezes fomos roubados e enganados, que deixámos de acreditar no caráter das Pessoas.

    Por maior Valor Humano que alguém possua, estas situações não deixarão de o afetar. Então é chegado o momento de tomarmos opções de Vida que nos permitam manter o Valor sem afetar o caráter.

    Esta é a reflexão que deixo aos meus caros Leitores: O Dinheiro ou a Vida? Qual a sua escolha para o Futuro?

    Atenção, tem de optar por uma das vias (e só por uma). Pois a via que hoje vivemos é uma mistura destas duas vertentes com um claro desequilíbrio a favor do dinheiro e em detrimento da Vida.”

    Alfredo Sá Almeida 1 de Fevereiro de 2017

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    1. Que bela surpresa!
      Obrigado pela participação.

      É uma excelente reflexão.
      Como não tem relação com as imagens dos dados (pelo menos não consegui encontrar uma), posso mover seu texto para um capítulo bônus na antologia se você permitir.

      Um abraço,
      Lucas Palhão

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  3. O aroma das flores

    Eu e minha amiga Ivone, saímos para uma viagem rumo a capital do estado, onde mora minha mãe! A mesma gostou demais da velhinha. Achou que ela está ótima para a idade que tem. Ela também gostou demais da minha amiga, até quis adotá-la! Além de ela ter dado ouvido a suas histórias, tem o fato das duas serem galegas.
    À tarde nos divertimos muito, pois a minha mãe gosta de soletrar as palavras à moda antiga. Ajudamos-lhe a escrever uns versinhos que ela gosta de fazer usando os nomes das pessoas da família! Depois fomos dar uma volta na casa do meu irmão João. Lá a Ivone se deu também, pois a mesma é dada com todo mundo!
    Como eu tinha falado para minha mãe tomar banho e se ajeitar, que íamos filmá-la, não demorou muito para que ela telefonasse nos chamando! Voltamos para casa e ela nos disse que minha irmã Ezilda nos chamou para jantarmos. Fomos às três. Lá a Ivone maquiou a minha mãe para uma sessão de fotos.
    Depois da janta, voltamos para a casa da minha mãe, onde íamos dormir! A Ivone quis logo se deitar, pois estava cansada, havia dirigido muito. Arrumei a cama para ela e fui para a casa da minha cunhada Gilda, que mora no mesmo terreno. Minha mãe também foi, pois a mesma dorme lá toda noite.
    Passado algum tempo, eu resolvi que também iria me deitar, pois já era muito tarde! Ao entrar no quarto da minha mãe, no qual Ivone se encontrava sentada na cama e usando o notebook, a mesma se dirigiu a mim: “Eulália, eu presenciei um fato muito estranho, eu estava concentrada, lendo , quando de repente surge um delicioso aroma de flores que envolvia todo o meu ser, senti uma paz que invadia minha alma, uma sensação nunca sentida antes.” Enquanto ela me contava isso, o meu pensamento vai de encontro ao meu pai, pois ela estava deitada exatamente no lugar que outrora era dele. Confesso que até senti inveja. Era o meu pai, sim, tenho certeza que era! Mesmo fazendo onze anos que ele partiu.

    Autora: Aurineide Alencar, 04/02/17
    Blog: http://www.cordelistaaurineide.blogspot.com.br
    Facebook: aurineide alencar

    Autorizo publicar

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    1. Obrigado pela participação, Aurineide!

      Não consegui identificar as imagens dos dados (flecha, sombra/monstro, fogo) no seu conto.
      Se quiser escrever outro usando-as, fique à vontade.
      Esse texto não estará concorrendo para aparecer na antologia.

      Um abraço,
      Lucas Palhão

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  4. BONS SONHOS

    Por mim ela ficaria ali, encaixada contra meu peito, para sempre. Tinha visão privilegiada dos finos pêlos de sua nuca, que se deitavam e voltavam conforme minha respiração fluia. O mundo podia acabar lá fora que eu não iria notar. Nada era mais importante que velar o sono dela.

    Um zumbido corta o ar e uma flecha se fixa na parede do quarto. Por muito pouco não grito. Minha agitação na cama não foi o suficiente para acordá-la. Levanto-me e de novo me perco no tempo a admirar a bela silhueta de cintura fina e quadril largo, o diafragma enchendo e esvazindo, fazendo o fino tecido da camisola dançar.

    A segunda flecha passa tão proxima a minha cabeça que chega a cortar minha orelha. Aquilo chamou-me a realidade. Eu tinha medo de olhar pela janela e ser atinjido por uma flecha na testa. Abaixo-me e vou me arrastando até janela, e ergo me bem a tempo de ver um dragão cruzar os céus. Eu devia estar louco. Flechas e dragões não existem no mundo de hoje,

    Volto minha atenção para cama, vejo ela se virando na cama, nada parecia atrapalhar o seu sono. Perdi me olhando a perfeição do contorno do nariz dela, e não reparei que tudo ficava mais e mais laranja até as janela estouraram e o fogo tomou conta do quarto.

    Acredito que o dragão tenha cuspido fogo contra a janela. Eu tinha um corte na testa e algumas queimaduras no braço. Levantei-me rápido, a fumaça e o calor dominanavam tudo. Ela já não estava mais na cama.

    Foi então que avistei duas criaturas altas, com tentáculos no lugar do braços que vinham até o chão e cabeças é pequenas sem olhos e com bocas enormes, arrastando o corpo dela pela porta. Mais flechas voltaram a acertar a parede do quarto. Corro em direção ao monstro, que já quase alcançava a porta de saida arrastando ela pelo tornocelo, desacordada.

    Pego a primeira coisa que me vem em mãos, um vaso de planta, e parto com tudo para cima do monstro. Ele se vira exatamente no momento em que pulo em direção a suas costas, abre a boca e arranca minha cabeça.

    Acordo ofegante. Duas da manhã. Sinto o cheiro de folhas queimando que algum vizinho colocou fogo. Vejo meu equipamento de arco e flecha no chão e uma revista masculina aberta num ensaio inspirado no mundo medieval sobre minha mesa. Maldito seres das trevas, pegaram ela!

    Autor: Francisco Marques
    Autorizo publicar

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    1. Olá, Francisco.

      Obrigado pela sua participação.
      Você utilizou as figuras dos dados, porém seu conto tem 2264 caracteres com espaços.
      O limite são 2000 caracteres.

      Você ainda pode usar o mesmo texto para concorrer. Basta reduzi-lo um pouco.

      Eu mesmo já tive que reduzir contos meus por passar da cota permitida e sei que não é um trabalho fácil.

      Espero que você o posso ajustar para que eu o considere para a antologia.

      Atenciosamente,
      Lucas Palhão

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      1. Obrigado, Lucas!
        Consegui editar. Segue o texto, agora com 2000 caracteres com espaços.

        BONS SONHOS
        Por mim ela ficaria ali, encaixada contra meu peito, para sempre. Tinha visão privilegiada dos finos pelos de sua nuca, que se deitavam e voltavam conforme minha respiração fluía. O mundo podia acabar lá fora que eu não iria notar.
        Um zumbido corta o ar e uma flecha se fixa na parede do quarto. Por muito pouco não grito. Minha agitação na cama não foi o suficiente para acordá-la. Levanto-me e de novo me perco no tempo a admirar a bela silhueta de cintura fina e quadril largo, o diafragma enchendo e esvaziando, fazendo o fino tecido da camisola dançar.
        A segunda flecha passa tão próxima a minha cabeça que chega a cortar minha orelha. Eu tinha medo de olhar pela janela e ser atingido por uma flecha na testa. Abaixo-me e vou me arrastando até janela, e ergo-me bem a tempo de ver um dragão cruzar os céus. Eu devia estar louco.
        Volto minha atenção para cama, vejo ela se virando na cama, nada parecia atrapalhar o seu sono. Perdi me olhando a perfeição do contorno do nariz dela, até que as janelas estouraram e o fogo tomou conta do quarto.
        Acredito que o dragão tenha cuspido fogo contra a janela. Eu tinha um corte na testa e algumas queimaduras no braço. Levantei-me rápido, a fumaça e o calor dominavam tudo. Ela já não estava mais na cama.
        Foi então que avistei duas criaturas altas, com tentáculos no lugar dos braços que vinham até o chão, cabeças pequenas sem olhos e com bocas enormes. Corro em direção ao monstro, que já quase alcançava a porta de saída arrastando ela pelo tornozelo, desacordada.
        Pego a primeira coisa que me vem em mãos, um vaso de planta, e parto com tudo para cima do monstro. Ele se vira exatamente no momento em que pulo em direção a suas costas, abre a boca e arranca minha cabeça.
        Acordo ofegante. Duas da manhã. Sinto o cheiro de folhas queimando que algum vizinho colocou fogo. Vejo meu equipamento de arco e flecha no chão e uma revista masculina aberta num ensaio inspirado no mundo medieval sobre minha mesa. Maldito seres das trevas, pegaram ela!

        Autor: Francisco Marques
        Autorizo publicação

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  5. O Perfil Suspeito

    Ele vivia como sempre dedicado ao trabalho, depois de tantas decepções e desencontros sobre suas aspirações decidira viver apenas em seu mundo e trabalho. Como sempre um sonhador, Augusto havia sofrido demais por suas ânsias de encontrar alguém ou de realizar projetos vocacionais que as pessoas enxergavam nele. Naquela noite foi tão cansativo e para completar Iara o fez de bobo mais uma vez, onde já se viu a pessoa fala tanto de sair encontrar amigos beber se divertir e até ensaia um interesse e a gente acredita para fazer a gente de idiota. Mas, também né! O que você tinha de acreditar, de repente olha o facebook e um apitinho de mensagem, alguém querendo bater um papo. Será que vale a pena deixa ver.
    Era Rita, aquela amiga de infância que descobriu com a mãe dela o seu perfil, agora de onde saiu essa pessoa? Trinta anos se passaram e nunca mais havia nem cogitado sua possível existência. Vamos lá! Um bate papo agora até pode ajudar a d’ estressar.
    – Olá! Está aí? Perguntava Rita no bate-papo
    – Oi! Tudo bem! Estou de corpo presente! O dia hoje foi tenso e quando achei que ia tomar uma cervejinha com uma amiga! Ela me deu o bolo!
    – Nossa que chato! Mas, como você está? Não vi você on-line o dia todo! Até pensei que havia excluído o perfil!
    – Aff! Até parece! Vida de professor e ator lascado minha querida. Não tenho ainda como ficar somente on line tenho de correr atrás de ganhar algum dinheiro.
    – Mas, o que aconteceu! Essa amiga sua por que te deu bolo?
    – Acho que ela está com vergonha de assumir o que todos estão falando!
    – Assumir o que? Vocês estão namorando?
    – Quem me dera! Todos estão perguntando isso por causa das nossas postagens. Mas, apenas amigos.
    – Ah! Que bom!
    – Que bom por que? Não seria bom também se estivéssemos namorando?
    – Ah! Seria, mas, aí eu não poderia ter muita intimidade com “meu amigo”
    – Não vejo problemas! O que você está querendo dizer e não está com coragem?
    – Nada não! Só brincadeira mesmo! Olha vou ter de sair minha mãe pediu que eu fosse levar meu pai na consulta! A gente fala viu. Beijão! Amigo!
    – Beijão! Então tá! A gente se fala!
    Não entendi muito bem essa atitude de Rita, mas sei lá estou tão cheio de coisas melhor eu terminar o roteiro da peça, amanhã preciso por a trupe para suar, Rafael está cada dia mais imbuído do compromisso, pena ainda não poder assumir o trabalho como um todo seria meu braço direito, se ao menos eu pudesse lhe oferecer um salário, para ele sair do trabalho logo, Lucas até é bom, criativo, mas medroso, percebo que Rafael tem encorajado ele, agora Ana tenho que dar uns sacodes! Nossa tanto talento e tanto medo. Ainda bem que Rafael é seu amigo e confidente e percebi que isso, favorece os dois, Rafael motiva Ana! Ela tem um complexo de patinho feio que faça o favor! Ai! Ainda tem os diários, fechar as notas, ai, vamos lá quer saber hoje é sexta eu ia tomar uma cerveja e vou! Isabela não quis, mas eu vou tomar! (desliga o computador e sai para o espetinho de dona Beatriz, pede uma carne de sol e uma long neck), começa a pensar alto, sobre a conversa com Rita no facebook. Agora mais essa, depois de tanto tempo, velho, cheio de problemas e começar a virar sex a peal, que ridículo! Volta para casa e vai dormir, pede a benção a sua mãe e abençoa a sobrinha e entra para o quarto com suas preocupações e sobre tudo pensando como resolverá os problemas da sua pequena empresa sem gastar mais nada, até por que não tem mais como gastar.

    Autor: Renato Farinha
    Autorizo Publicação

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    1. Olá, Renato!

      Obrigado pela participação.

      Conforme o regulamente, você deve usar as imagens dos dados no seu texto.
      Não identifiquei a flecha, o fogo ou a sombra/monstro.
      Além disso, o limite de caracteres é de 2000, considerando espaços.
      O seu conto tem 3442.

      Infelizmente, não o considerarei para antologia.
      Entretanto, isso não impede que você envie outros contos para esse ou quaisquer outros episódios.
      Espero que possa participar atentando às regras.

      Atenciosamente,
      Lucas Palhão

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  6. ::: A solidão, sentada em banco de jardim :::

    ‘Vi a solidão, quase ancestral, sentada em banco de jardim. Era cedo, ainda quase prematura manhã, e já ali perdurava anoso vulto. Estudantes haviam-se esfumado em salas para a inaugural classe. Carros já serpenteavam ruas em busca de um lugar que – somente enxergando – pouco se consegue imaginar. Enquanto ali, permanecia a solidão, isolada, com vulto de ser. O quiosque, tão perto, começava a retomar o agitado frenesim dos dias de semana e o banco de jardim, por vezes concorrido, segurava o quadro que saltava para além daquela existência. Não se via certo.
    Fugi como sem querer, pelas escadas à direita. Embalado de rotina, pouco agora sei se – ao resvalá-la – a tomaria ou seria eu tomado. Nunca havia imaginado a solidão, mas certamente não a veria assim, em banco de jardim, perto da agitação dos carros, do estardalhaço da estudantil adolescência, do balburdio do quiosque de bairro, dos dias solarengos que se expandem além do que é triste. E talvez sempre ela ali viva, todas as manhãs, sem que jamais a tenha visto.
    Todavia, a anciã solidão ali sentava, segurando o cachorro, bem amestrado, perante todo o rotineiro alvoroço. Ele mesmo, sem se notar o sustentáculo que veste, alberga uma capa – como camisola – azul bebé. Segura o que jamais se vê segurar e protege, sem o saber, na camisola que traja, o sustento de quem enroupou.
    Perdura então, sinal último da solidão perante quem espera amparar para lá do desamparo que sempre sente.
    Vi além a solidão, quase ancestral, sentada em banco de jardim. Vi os seus olhos passearem os prédios, os carros que passavam, o cachorro que se agitava. Vi as suas mãos acalentarem para serenar. Vi a sua face encostar no modesto amparo que ostentava. Vi o beijo, deleitado de amor. Vi-o ali, vazio de oportunidade.
    Vi por cá a solidão, sentada em banco de jardim, munida de um idoso ser.’

    Link de blogue: https://verbetepassageiro.wordpress.com/

    Autorizo a republicação do texto na antologia, em caso de aprovação.

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    1. Olá, Luís!

      Obrigado pela participação.

      A quantidade de caracteres está dentro do limite, porém, das três imagens dos dados, consegui reconhecer apenas uma.
      Consigo interpretar a solidão como a imagem da sombra/monstro, porém não identifiquei ‘fogo’ nem ‘flecha’ em seu conto.

      Para que o texto seja considerado para a antologia, é necessário que as três imagens do episódio façam parte do texto.

      Fique à vontade para enviar outro texto para esse episódio e, também, para os outros nove.

      Atenciosamente,
      Lucas Palhão

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  7. A nice adventure. Fireside, logs, bows and arrows and Ogres. And you inspire others to occupy with a similar pastime of creating such adventures. This is great, I wish I were involved in such groups when young. Don’t get me wrong at my age I am fulfilled, happy with my surroundings. But it is good to look in upon the young and see what they are doing. Thank you.

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      1. Okay Palhao, help me out here…….you see, I don’t understand the meaning of what you are saying here? Send in a text? Do you mean; Like an assessment, a critique? Or are we talking about a informal greeting to your followers? Or just for me to write a post written just for your blog? Sorry if I seem to have blown a simple thing up. Apologies.

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      2. I apologize. I haven’t been clear.

        This post is part of a bigger project where people look at the images on the dice and connect them in a short story of at most 2.000 characters with spaces. For this episode, such images are fire, arrow and shadow or monster.

        I meant that you could also write a short story and send it in the comments session, as you can see others have already done.

        Of course, this is an invitation, but I totally understand if you don’t have the time to participate.

        I’m still superglad you enjoyed my short story 🙂

        I hope I have been able to communicate better this time 🙂

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  8. Arco da dor.

    Eu não tinha escolha. Não mais. Eu deveria ter previsto… Deveria ter sentido. Mas me deixei levar. E, agora, a pessoa que eu mais confiava havia se tornado o maior dos monstros, e tudo bem diante dos meus olhos.

    E estávamos em um impasse. Era eu, ou ele. Um pereceria por culpa do outro. Que ironia, Destino. O sabor da crueldade estava impregnado na minha pele.

    Tossi com a fumaça que começava a se acumular perto de nós. As labaredas do fogo lambiam as paredes e desviei os olhos de um corpo jogado no chão. Tentei não me concentrar no cheiro podre de carne queimada. Uma risada oca surgiu das sombras e gelou meus ossos.

    – Saia daí, meu amor. – Disse ironicamente. – Está na hora de acabarmos com isso.

    Eu quis chorar, mas me controlei. O arco nas minhas mãos tremia em um reflexo dos meus próprios dedos nervosos. Marcus estava de costas para mim, eu o via agora. E, como se os deuses torcessem para mim, havia um caminho limpo para a minha flecha. Se eu me concentrasse o suficiente, acertaria seu coração.

    Nossos abraços e confidências inundaram minha mente e meu coração fez um barulho doloroso que escapou pela minha garganta. Ele se virou imediatamente; não para mim, mas na direção do som.

    Deveria agir rápido.

    Encaixei o objeto, ergui o queixo – que também tremia – e soltei. A flecha cortou o vento, atravessou o fogo e se cravou no peito enegrecido. O veneno se espalhou imediatamente. Arôn caiu com os olhos arregalados. Ele não acreditava que eu fosse capaz. Eu não acreditava ser capaz. Um pedaço de madeira caiu atrás de mim e eu acordei do transe. Percebi que estava chorando. Dei as costas, limpei o rosto e gritei de dor. Enquanto eu caminhava, deixava também, para trás, além do meu melhor amigo, a melhor parte de mim.

    Autora: Giovanna Cuzziol.
    Prateleira de Vidro (https://prateleiradevidro.wordpress.com/)
    publicação autorizada

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  9. A FUGA DO RIO

    Tenho um sonho recorrente. Caminho pela Av. Niemeyer, à noite. O tempo está nublado e não há ninguém. Do Mirante do Leblon vejo o mar invadindo o bairro, avançando pelos prédios, todos transformados em cortiços.

    De repente estou dentro de um carro, num dos túneis da cidade. O trânsito está parado. Ligo o rádio e ouço que não posso continuar: houve uma fuga em massa de presidiários, um incêndio de grandes proporções escurece a cidade, cobriram o Cristo Redentor com um cinturão de balas. Da aliança entre as facções criminosas ergue-se um déspota, um Pai para a bandidagem, um bárbaro, prestes a se converter ao islã.

    Subitamente estou na fila das barcas. A Praça XV foi tomada pela multidão. A última viatura de polícia vai ser incendiada. Não estão vendendo mais passagens, a ponte foi bombardeada, um monstro está nadando na Baía de Guanabara.

    Roubo um carro e pego a estrada. Passo como uma flecha pelo Trevo das Margaridas devastado, antiga Rodovia Presidente Dutra. Abro o porta-luvas e acho uma fita de rock’n’roll. É o Black Sabbath. Olho pelo retrovisor, a bandidagem está no vácuo. É uma fuga do Rio, e eu acelero, deixando na estrada uma muralha de fogo.

    Autor: Clarck Duque
    Histórias Ordinárias: http://clarckduque.blogspot.com/
    Publicação Autorizada

    Obrigado

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  10. O Sol e o Carcará

    Fazia tempo que Valéria passava por grande tormento. Doce anjo dos cabelos de fogo, depois da morte da mãe, ficara ela sob a tutela de Evandro, seu padastro, um monstro, homem de muitas posses que castigava a moça com todo o tipo de maltrato.

    Tal realidade era do conhecimento de Lucas, que era apaixonado por Valéria. Chegara ele a pouco tempo na cidade, após longo trabalho em uma reserva indígena, mas assim que pôs os olhos na moça, soube que aquela era a mulher de sua vida. Por isso mesmo, irritou-se o rapaz, armando-se do arco e das flechas, que aprendera a usar com os aborígenes, foi a Evandro e seus chirimbabas desafiar.

    Balas e flechas correram o ar, como antigos índios contra antigo portugueses. Morreram Evandro e seus capangas fechados, com uma seta no olho cairá o crápula. Infelizmente, sumcubira Lucas baleado.

    – Não morre. Eu te amo. – Valéria pedia a sua jovem paixão em seus braços, mas não podia ela tirar o mancebo do laço de sua lúgubre meretriz.

    Impotente, a menina dos cabelos de fogo beijou os lábios de seu salvador. E o amor, mais forte que tudo, aos dois sequestrara, transformou Valéria no Sol e Lucas em um carcará, dois eternos amantes, para sempre a se amarem no arrebol.

    (Autorizo o conto para publicação, mediante citação da autoria)

    Autor: Luiz Batista

    Perfil no Face: http://zip.net/bntFkT

    Desde já, agradeço a oportunidade.

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