Quarta-Feira Criativa S03E02

Vamos para o segundo episódio! Participe com seu microconto de até 2.000 caracteres.

Veja o regulamento completo no link a seguir:

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/17/regulamento-da-terceira-temporada-do-projeto-quarta-feira-criativa/

quarta_s03e02

Quando me deu na telha, peguei minha bengala e saí pelo mundo. Cansei de ver tanta desgraça pela TV. Se fosse tudo verdade, agora eu ia ver ao vivo. Se não, eu ia, enfim, ver algo de bom.

Comecei mudando de cidade. Há uns 200km de onde saí, já começava a reparar nas diferenças de sotaque, além de palavras que eu nunca tinha ouvido na vida. A pior parte era a mesma palavra que eu conhecia significar outra coisa totalmente diferente. Apesar de alguns mal-entendidos, a gente se compreendia.

Depois, mudei de estado. Agora já dava para perceber atitudes bem diferentes. De onde eu vinha, a gente trabalhava menos e passava mais tempo com a família e os amigos. Aqui, tudo girava em torno do trabalho. As pessoas até se encontravam em eventos sociais, mas não eram tão íntimas.

Então, mudei de país. Agora, os mal-entendidos ficavam maiores. Por sorte, não ofendi ninguém. Acho que me davam “desconto para estrangeiro” e acabavam perdoando meus enganos. Proximidade com outras pessoas havia se tornado um artigo de luxo para mim. Comecei a me perguntar que ideia era essa de ter deixado meu lugarzinho…

Mas aí, mudei de continente. Com aquele monte de comida diferente, eu passava mal grande parte do tempo. Já não era mais tão jovem para me adaptar. Vi muitas coisas exóticas, porém a “robotagem” das pessoas era ainda pior aqui.

Finalmente, voltei para casa. O tempo longe me ajudou a pensar no quanto era valioso o que eu tinha. Agora, não saio mais daqui.

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26 comentários sobre “Quarta-Feira Criativa S03E02

  1. O Inventor

    “Everton, o que você fez agora?” “Mais uma de suas invenções malucas para me atrapalhar aqui, dentro de casa. Eu já não suporto mais viver tropeçando nessas suas criações sem sentido”. Dizia a mãe, quando ele era somente uma criança de oito anos.
    O menino foi ganhando estatura e intelecto; diante de cada novo invento, aumentava mais o interesse pelo novo. Ele mesmo projetava, planejava e criava, não lhe faltavam ideias. Quando decidiu aprofundar mais seus dons, optou por estudar robótica, curso superior já existente em seu país. Ao mesmo tempo em que realizava a graduação, com domínio nas aulas práticas e teóricas, também concretizava um antigo projeto: criar sua própria aeronave. Antes mesmo de chegar à metade do curso, já estava com ela prontinha, em sua estrutura mecânica; faltavam somente o acabamento e os primeiros testes, algo que não demoraria em terminar. Depois de concluído o projeto que certamente seria sua maior criação, ele escolhera uma data especial para o teste.
    Era sete de setembro, seu feriado predileto, uma sexta-feira. Teria três dias para testar a invenção, Áurea, em homenagem à avó que sempre o apoiou. A mãe, única companhia desde sua partida, era uma das poucas pessoas que conhecia o projeto, havia dois de seus amigos que sabia do invento; um deles, dono do terreno ao lado do sítio em que morava, doou o amplo local de planície que lhe serviria de pista.
    O sol espalhava seus raios luminosos. A mãe registrava cada momento marcante paro o filho com a máquina fotográfica. Dentro da pequena cabine, fechou o capacete azul com vermelho e, após acionar o monomotor da Áurea, Everton, fazendo o sinal de positivo para os três que o observavam na lateral de terra batida, seguiu reto por uns 300 metros até que, puxando uma espécie de bengala que servia de câmbio, viu a parte frontal do pequeno avião ergueu-se. Aquele era mais um de seus sonhos realizados, o maior deles.
    Voou por cerca de dez minutos, a 400 pés de altitude. Sentiu-se totalmente livre no espaço e comprovou que a Áurea correspondia ao esperado. Foi um dia de glória para Everton, para a mãe e os dois amigos. Tinha uma única certeza, não pararia por ali; iria mais adiante e daria novos voos, maiores e mais altos ainda.

    Erisvaldo Magalhães

    Último dia de agosto de 2016

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  2. Espero que eu tenha entendido bem e, se não, peço mil perdões.

    Um, dois, três… Frederico bateu com a sua bengala uma quarta vez no chão e anotou esse número mentalmente. O chapéu que cobria os olhos não poderia, jamais, esconder o sorriso que os lábios desenhavam – meio de canto; meio pirraço. Um clique agudo cortou o ar noturno daquela quase madrugada e ele espiou pela janela quando a lâmpada se acendeu. Enquanto controlava o coração para se manter estável – ora pois, parecia um adolescente! – lembrou-se da última vez que se sentira assim, e fazia tanto tempo… Tanto tempo desde que todo o corpo, excitado, sentira o sabor na ponta da língua; o sabor da aventura. Era ainda moço e o mundo cabia nas palmas das mãos – ou assim o imaginava. E então aos poucos o tempo foi passando, e, em um piscar de olhos, a rotina o impedia de sequer caminhar até a esquina. Até conhecê-la. Jasmine. Jasmine! Mesmo em pensamento, a palavra parecia uma canção. Uma canção que acariciava seus ouvidos e ninava suas noites. E o corpo envelhecido rejuvenesceu ao mesmo passo que a porta se abriu, revelando o rosto surpreso da mulher. Não deixou nem um segundo para trás e, como sempre acontecia, não sentiu mais a necessidade de se apoiar naquele pedaço de madeira, pois agora poderia se apoiar nela – em mais sentidos do que o literal. E lá estava Frederico novamente. Depois de tantos anos – Quarenta? Cinquenta? – finalmente tinha o comando da sua vida de novo. Afinal, ali, naquele instante, ele tinha, mais uma vez, o mundo em suas mãos.

    autora: Giovanna C. Longo.
    título: O mundo na palma da mão.
    blog: Prateleira de Vidro (https://prateleiradevidro.wordpress.com/)
    publicação autorizada

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  3. Algo diferente me ocorreu ontem, uma trovoada de idéias e de inquietações que eu acreditava estarem silenciadas com o a idade já avançada. Nem ao menos caminho sem ajuda, esta haste em mão trêmula clama por firmeza quando fraquejam as pernas.

    Não mais importa o peso de decisões passadas, são passado hoje. O futuro me despreza e tem em mim grande reciprocidade. O presente é uma dádiva aos jovens e uma prisão enfadonha a quem acorda atordoado e enjoado toda manhã.

    Inquietações nessa altura da vida? Perguntas em demasia, todas sem nenhuma resposta absoluta, perguntas que anos atrás aprendi a ignorar. Amar a ignorância e poder acreditar que tudo será igual e como sempre será…

    Quem deu a você o direito de ligar aquela hora da noite, incomodar o sono sereno de um pobre e velho coitado. Mesmo amargo atendo, e você diz todo emocionado que minha nora está grávida.

    Algo diferente realmente me ocorreu ontem. Dessas inquietações surgiu essa luz em meus pensamentos, desistir dessa vida era a resposta correta a todas minhas indagações.

    Da sacada de meu apartamento joguei a velha bengala, seguidos dela foram também minhas angústias, frustrações, apatias e algumas décadas. Tudo isso lancei na rua e infeliz de quem as recolher.

    Lancei tudo de ruim que acumulei nesses últimos anos. Meu neto está a caminho e não quero estar carregando essa tralha comigo para quando eu for mostrar a ele o mundo.

    Acredito que o futuro me ame, e tem em mim grande reciprocidade.

    Autor: Frederico L. Caputo
    Título: Renascimento
    Publicação autorizada

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  4. O mundo contra Horácio
    Guile

    Horácio tinha todas as idéias na palma da mão. Não “muitas”, não “quase todas”… todas. E vinham em profusão invadir sua mente num turbilhão de eletricidade que tornavam insignificante a mais forte das tempestades.
    Por ter sido assim, tão vivo e ativo em pensamentos que surgiam a esmo, o estresse virou um companheiro de todas as horas. Aprendeu a lidar com isso. Aprendeu a calar aquela tensão que corria em suas veias. E a cafeína ajudava a manter a mente acesa.
    Não importavam as coisas que criava, o que descobria, as teses que refutava. Simplesmente suas idéias não cabiam naquele mundo. Era de outra época. Tinha que ter nascido alguns séculos mais tarde, talvez até mesmo em outro planeta.
    Horácio participou de grandes descobertas tecnológicas, assistiu a grandes revoluções da civilização, viu a era de ouro das grandes invenções e descobertas da ciência. Por um momento na história do mundo compartilhou seu conhecimento e idéias para melhorar as coisas, sempre procurando aperfeiçoar e fazer com que o mundo seja um lugar melhor para a civilização.
    Agora, velho, deitado em sua cama, recebeu a visita que esperava já a algumas semanas. A morte não era tão assustadora quanto falavam. Na verdade a morte passava a ele uma calma como nunca sentira antes.
    Seu único pesar era, no fim de sua vida, ter assistido a tantos episódios de ódio da sociedade para com ela mesma, e tantas vezes que as pessoas ignoraram os sinais de um mundo doente e de uma natureza que definhava lentamente, sem ajuda.
    E pela primeira vez na vida, encarando a morte com toda sua serenidade, não tinha a menor idéia para apresentar ao mundo. A morte o acariciou, então sentiu-se leve, estranhamente vazio. Finalmente entendeu que todas as opções já estavam ao alcance de todos. O que faltava não eram idéias. Era altruísmo.

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  5. It is so true, when you can pick up similarities in the language. I enjoy reading blogs in other languages because it tests me in my own. Most are Latin based, so they bear similar characteristics. I may not understand each word but I can generally get the meaning. Sometimes I’m wrong. I use translator to test how well I did and find that I do rather well and other times poorly. Lovely blog. I enjoyed it.

    Curtido por 1 pessoa

      1. Thank you! When I was young, we had a big Portuguese community because they were fishermen and I would visit there a great deal. I would speak Spanish and they would respond in Portuguese and we understood one another fairly well. If we weren’t sure, we would play the game of charades until we figured it out. That was before translator programs or cell phones and computers, Aye, I give away my age. lol
        Are you from Portugal? I have many people from around the world. I love it! So much to learn from everyone.

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  6. O Causo da Bengala

    Sergio – homem culto e muito rodado no mundo – certa vez achou morada em uma cidadela no interior, onde recebera inúmeros avisos acerca de ter cautela com a bengala de Seu Nem, o que muito o intrigava. Tamanho mistério, em relação ao objeto de madeira, foi o estímulo para que o estudioso avaliasse a razão de tanto alarde.

    – Vá se lascar! – Logo viu Sérgio que sua investigação muita irritação causaria.

    – Mas eu só quero…

    – Se lasque! “Num sô fresco não!” – E assim várias respostas rudes iam aparecendo, a ponto de em uma de suas entrevistas, o “cientista” levar uma carreira de dois dias e uma noite, depois que um cidadão puxou contra ele uma faca dos quartos, que de tão grande demorara uma hora de relógio para ser tirada da bainha.

    – “Ora bixiga!” – Irritou-se Sérgio com o ocorrido, em seu descontrole teve que ele uma ideia que de tão simples era brilhante, tal lhe aparecesse uma lâmpada na cabeça, como nos desenhos animados: falaria ele diretamente com Seu Nem, e todo o segredo seria desvelado.

    – “Ahh!” – Meia hora depois, saía o perseverante estudioso da casa do dono da bengala, tinha Sérgio as mãos sobre as nádegas, soube do jeito mais doloroso que não era do pedaço de madeira que estavam falando. Desesperado, procurava ele um médico pra o seu furico remendar.

    Com bengala, não quis Sérgio mais conversa, muito menos com Seu Nem. Desde então quem nas redondezas pelo estranho objeto pergunta, alguns dias sem sentar fica, e quem ler este texto fica também.

    E aí? Doeu?

    (Autorizo o conto para publicação, mediante citação da autoria)

    Autor: Luiz Batista

    Perfil no Face: http://zip.net/bntFkT

    Desde já, agradeço a oportunidade.

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  7. Título: Entre decisões e cigarros
    Era um pôr do sol lindo como nunca tinha se visto. A lembrança que sempre o acompanhava não deixou de atormentá-lo mesmo naquele momento. Enfiou a mão livre no bolso e sacou uma carteira de cigarros. Estava lacrada e com o plástico transparente ao seu redor.
    O homem tinha fumado somente três vezes desde que tinha nascido e, todas elas foram na adolescência. Não lembrava dos detalhes mas, na época, supôs que queria impressionar algum amigo ou garota. Deu uma batida no bolso de trás para garantir que o isqueiro estava ali, Foi até a sacada do apartamento.
    Com três pernas andou com passos lentos e cansados. Perna direita, bengala, perna esquerda. Era sua nova rotina há três semanas. Chegou na porta da sacada e a abriu devagar. Deixou a bengala ao lado de uma cadeira que esperava o homem se sentar.
    Diferente de quando foi ensinado na sua infância se sentou e manteve uma das pernas esticadas. O joelho estava longe de melhorar e ele sentiu dor na mínima intenção de dobra-lo. Os curativos e a faixa enrolada ajudavam o joelho a não se mexer muito. Olhou o céu alaranjado e lembrou das pistas de corrida… eram as mesmas que o tinham permitido conquistar o mundo. Na prova de 200 metros era imbatível. Quebrou o recorde mundial. Se sua cirurgia no joelho não fosse tão complicada, conseguiria superar a si mesmo.
    Conforme o laranja foi se tornando o negrume da noite ele refletiu sobre o passado e futuro. Talvez não conseguisse correr como antes, talvez o mundo o esqueça quando seu recorde for quebrado, talvez ele deveria fazer como o sol e se esconder no escuro.
    Ainda assim, naquele começo de noite só ascendeu a lâmpada da sacada. A carteira de cigarros morreu ao cair de quatro andares.

    (Autorizo o conto para publicação, mediante citação da autoria)
    Facebook: https://www.facebook.com/evandro.gaffuri

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  8. A Cidade Fantasma

    Continuamos correndo pelas ruas daquela cidade deserta sem tempo para descansar. A criatura que nunca podíamos ver o rosto continuava nos seguindo nas sombras. Então ouvimos alguém gritar:
    -Por aqui! Por aqui! – era um velho que gritava da porta aberta de uma casa. Entramos sem esperar segunda ordem e ele trancou a porta com um monte de ferrolhos.
    -Vocês têm sorte de estarem vivos! – disse o velho suspendendo a calça. Percebemos então que ele segurava uma espingarda velha e que aquele lugar em que estávamos, estava cheio de entulhos e uma porção de coisas empilhadas – quem são vocês? – quis saber ele – ninguém vem por essas bandas há anos.
    -Somos apenas viajantes perdidos – respondi olhando para a lâmpada daquele lugar que estava falhando.
    Meu irmão rodopiou um globo terrestre empoeirado, pendurado no meio das tranqueiras achando o lugar divertido:
    -Tem um bocado de coisa legal aqui! -disse ele.
    -Não toquem em nada! – gritou o velho – vocês podem ficar aqui apenas essa noite! Ouviram bem?
    -Sim, senhor – respondi fazendo um sinal com a mão para o meu irmão não tocar em mais nada. Ele obedeceu. Então sutilmente meti a mão na costura secreta da minha roupa. A bengala ainda estava lá. Naquele momento prometi a mim mesmo que a criatura que nunca podíamos ver o rosto jamais teria aquele objeto.

    Página: Monstros e Fantasias

    Autorizo a publicaçao.

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  9. Título: Demônios I
    A mãe tinha saído, estava sozinho em casa. Seria a hora perfeita para usar aquela nova droga. A sensação foi esplêndida, nunca havia sentido algo naquele nível. Porém quando aquele demônio apareceu, ele surtou. Com uma faca tentou matar aquele monstro. Foi uma briga intensa. Ele furava a criatura diversas vezes. O monstro queria viver e batia no humano com seus braços deformados, mas não fazia efeito. Sangue estava por todo o local. O filho conseguiu vencer a batalha, porém só percebeu que havia matado sua mãe quando a polícia chegou.

    Facebook: https://www.facebook.com/kayo.augustos
    Página de Minicontos: https://www.facebook.com/FolhasMacabras/
    (Caso seja selecionado, por favor divulgar a página).
    Autorizo o conto para publicação, mediante citação da autoria

    Curtido por 1 pessoa

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