Quarta-Feira Criativa S03E06

Feliz ano novo para todos e vamos começar 2017 a todo vapor!

Se quiser participar, conecte as três figuras dos dados na imagem a seguir em um microconto de 500 a 2000 caracteres. O regulamento completo está em

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/17/regulamento-da-terceira-temporada-do-projeto-quarta-feira-criativa/

E se quiser participar dos episódios anteriores, eles estão nos links a seguir:

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/24/quarta-feira-criativa-s03e01/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/31/quarta-feira-criativa-s03e02/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/09/07/quarta-feira-criativa-s03e03/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/12/21/quarta-feira-criativa-s03e04/

https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/12/28/quarta-feira-criativa-s03e05/

quarta_s03e06

A Truta-do-Tempo

— Saco! — praguejei quando a única luz da cabana se queimou.
— Calma, meu neto. Eu tenho velas e fósforos em algum lugar por aqui…
— Por que a gente veio encontrar seu truta-do-tempo mesmo, vô? — eu disse, impaciente.
— Hahaha! Não é “um” truta. É “uma” truta.
— Uma mulher?
— Não. É uma truta.
— Um peixe!?
— É!

Fiquei ainda mais indignado com essa viagem que não queria fazer depois de descobrir que não íamos encontrar um amigo do vovô, mas, sim, um peixe. Consolei-me com a companhia do meu avô, que eu tanto amava, e adormeci.

*

— Bom dia! — chamou o vovô.
— Bom dia… — respondi desanimado.

Quando, enfim, consegui abrir os olhos pesados pelo sono, vi que meu avô já estava pronto em sua roupa de pesca: colete marrom cheio de bolsos, chapéu e botas combinando, uma calça verde e sua vara de pesca na mão.

Troquei de roupa e comi umas duas bolachinhas, tamanha era a pressa dele para partirmos.

Em poucos minutos, estávamos num barquinho, no meio do Lago das Maravilhas. No meio do azul, eu via apenas a pequena boia que segurava o anzol do vovô.

De repente, ela afundou e meu avô içou um peixe para fora. Ao pegá-lo e tirá-lo do anzol, a truta começou a brilhar. Meu avô a levantou e, em questão de segundos, o céu se fechou com nuvens escuras e uma chuva torrencial começou a cair.

A água gelada descompassou minha respiração e busquei abrigo nos braços do meu avô. Então, assim como vieram, as nuvens se foram, sobrando apenas algumas próximas às montanhas. A chuva fina ao longe formou um fantástico arco-íris duplo.

Meu avô jogou o peixe de volta na água e me abraçou. Olhamos para o arco-íris por um bom tempo e essa se tornou minha memória mais querida do vovô, que partiu apenas alguns meses depois disso.

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17 comentários sobre “Quarta-Feira Criativa S03E06

  1. Poesias da vida

    João Carlos trabalhava como eletricista durante a semana. Em sua casa, ironicamente, a lâmpada da cozinha estava queimada há mais de um mês. A verdade é que preferia as sombras formadas quando as velas ficavam responsáveis pela iluminação. João Carlos se imaginava em um filme, ficava inspirado, achava mais poético.
    João Carlos era pescador nos finais de semana. Entretanto, era um tipo de pescador estranho, que se dava ao trabalho de cortar o anzol com um alicate logo depois de pegar o peixe, soltando-o no rio de imediato, deixando-o somente com um furo mínimo na boca, que logo se curaria. João Carlos achava que pescar era relaxante, adorava pescar, sentia-se em um livro bucólico quando pescava. João Carlos, ironicamente, era vegetariano desde os cinco anos de idade, e nunca havia comido peixe.
    João Carlos era um caçador de arco-íris, sempre que possível. Depois de uma tempestade de verão, saía a buscar arco-íris pela cidade, melhor ainda se fosse durante um pôr-do-sol. João Carlos achava bonito, inspirador, agradecia à natureza e ao universo por aquele momento. Entretanto, João Carlos odiava chuva. Trancava-se dentro de casa quando chovia, com cortinas fechadas para nem ver o que se passava. Quando parava o ruído das gotas, colocava um sorriso no rosto. Hora de caçar arco-íris.

    Instagram: @louiseenriconi
    Permitida publicação

    Curtido por 1 pessoa

  2. Exílio

    André era um peixe fora d’água. Na escola, durante a educação física, ficava ele isento de todas as atividades. Tinha o garoto tanta vocação àquilo como um boi ao céu.

    A trocar a bola pelo papel, passara André aquelas aulas. Seu caderno era a sua tábua de salvação, em seu degredo. Era aspirante a desenhista o rapaz.

    Sonhos, monstros, quimeras… Rostos, moças, paisagens… Um mundo pintado — em um arco-íris multicor — ganhava forma nos traços daquele prodigioso artista, jovem talento. E assim o garoto gastava o tempo, em sua paixão, como se uma lâmpada em um quarto escuro acendesse.

    André, sua caneta e seus papéis eram a sua multidão.

    (Autorizo o conto para publicação, mediante a citação da autoria)

    Autor: Luiz Batista

    Perfil no Face: http://zip.net/bntFkT

    Desde já, agradeço pela oportunidade.

    Curtido por 1 pessoa

  3. O peixinho azul.

    Belinda nunca participara de um funeral. Estava chateada, tristonha, melancólica e saudosa. A primeira experiência estava sendo bem ruim. Apagou as luzes do quarto e saiu de encontro aos outros.

    A mãe dissera que o peixe deveria ser jogado no vaso sanitário, mas a pequenina fazia questão de enterrá-lo no jardim. Merlin merecia um funeral digno. Tinha passado uma semana inteirinha sendo o melhor peixe que alguém poderia ter. Ele merece um descanso melhor do que o vaso.

    O pai cobriu o vão com terra. A irmã disse algumas palavras bonitas. Sua mãe lhe acariciou os cabelos. Belinda chorou, mas, quando ergueu os olhos para o céu e viu o arco-íris que sumia atrás das casas, conseguiu abrir um sorriso. Nadando nas cores fracas, havia uma nuvem em formato de peixe ao lado de um urso, uma girafa e um filhote de cachorro. Merlin estava bem e, então, ela poderia ficar bem também.

    Autora: Giovanna Cuzziol.
    Prateleira de Vidro (https://prateleiradevidro.wordpress.com/)
    publicação autorizada

    Curtido por 1 pessoa

  4. Título: Peixinho
    Existia, bem no fundo do mar, um cardume. Tão ao fundo que a luz solar não os atingia de forma alguma. Para localizarem uns aos outros, bem como o alimento de cada dia, eles tinham escamas sensíveis e percebiam qualquer movimento. O engraçado era que mesmo que a natureza os tivesse feito propriamente para viverem na escuridão, eles ainda tinham olhos.
    Um dos peixes, diferentemente dos demais, tinha seus olhos pouco mais apurado. Por conta disso, certa vez, esse mesmo peixinho conseguiu enxergar algo na parte de cima aonde seu cardume estava nadando. Ele tentou chacoalhar o corpo e fazer várias ondas para avisar os demais que estava vendo algo.
    Com a visão precária e com o tempo em que viviam no escuro, todos os peixes achavam que o companheiro estava ficando maluco. Na verdade acharam que ele estava sendo atacado por algum predador. Sem demora, todo o cardume, com exceção do peixinho que via a luz, fugiram o mais rápido que puderam.
    Solitário e sem conseguir perceber algum dos amigos próximos, ele decidiu subir em direção à luz. Enxergava todas as cores de um arco-íris pelo prisma de seus olhos.
    Conforme subia ia descobrindo um mundo inteiramente novo. Seus olhos despertavam para cada coisa que lhe era estranho. De súbito, enquanto avançava distraído, fui puxado para fora da água junto a um montão de outros peixes.
    Ainda conseguiu enxergar uma lâmpada antes que visse o primeiro e último humano pescador de sua vida de peixinho.

    (Autorizo o conto para publicação, mediante citação da autoria)
    Facebook: https://www.facebook.com/evandro.gaffuri

    Curtido por 1 pessoa

  5. Título: Carnaval Macabro I
    Já consigo fazer isso num fim de semana normal, imagine então quando a cidade está contagiada pelo carnaval? Haha, será como arrancar doce de criança! Estava calmo, não fazia tanto tempo desde a última vez. Indo da zona leste para a oeste, uma bela mulher entrou no táxi. Quase não consegui me segurar, porém tinha que ser uma turista. A polícia já devia estar percebendo que havia algo de errado (eu acho, Rs). Nada de a sorte sorrir para mim. Quando pensei em voltar para casa sozinho, ouvi a cliente dizer qual era o seu destino com um sotaque nordestino forte. Haha, foi fácil, talvez nas outras noites de carnaval eu tente de novo.

    Facebook: https://www.facebook.com/kayo.augustos
    Página de Minicontos: https://www.facebook.com/FolhasMacabras/
    (Caso seja selecionado, por favor divulgar a página).
    Autorizo o conto para publicação, mediante citação da autoria

    Curtido por 1 pessoa

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