Você perde tempo com literatura? Mas é tudo mentira!

“Tenho coisas mais importantes e urgentes para ler”, “Não gosto de perder meu tempo com mentiras”, “Eu já passei no vestibular, não preciso mais dessas coisas”, “Isso é pra crianças e adolescentes; tenho mais com que me preocupar e contas pra pagar”, “O que isso vai agregar na minha vida?”.

Se você quer viver sem literatura, tudo bem, é perfeitamente possível. Mas saiba que será uma vida técnica, terrena e uma única vida, enquanto seria possível viver mais de mil delas através das letras ordenadas pelos escritores de todos os tempos. Como bem identificou C. S. Lewis, sem a literatura seríamos meros “primatas de calças”, sem imaginação, presos à realidade mecânica da modernidade.

O que você talvez não saiba é que os três pilares da cultura ocidental, que são a filosofia grega, o direito romano e a moral cristã, foram precedidos pela literatura. As grandes questões da humanidade já estavam nas histórias contadas antes de se organizarem na filosofia. Antes que o direito legislasse sobre os conflitos reais, as histórias traziam os embates de personagens (os quais, com certeza, eram inspirados em características bem reais dos seres humanos ou até em pessoas específicas). Cada leitor (ou ouvinte) julgaria os personagens por seus próprios valores e convicções, fazendo um grande exercício do direito antes mesmo que a palavra para tal atividade fosse inventada. E ainda das histórias vem a moral cristã, cuja origem vem dos Hebreus e Israelitas, de antes do século X antes de Cristo.

Mas que estranho poder é esse que têm as histórias? Bom, lembre-se da última vez em que se reuniu com a família ou com os amigos. De quais conversas você se lembra? Quem estava falando? Muito provavelmente, aquele que melhor conta histórias. Deve ser o que sempre está rodeado de gente, ouvindo com atenção a respeito de suas aventuras e desventuras. Agora pense nas crianças. Quem é capaz de prender a atenção delas sem usar telas? Sim, você acertou: aquele que melhor conta histórias.

Os personagens de uma história, sejam fictícios ou reais, conectam as pessoas fora dela. E não podemos fugir disso porque está entalhado em nossas cabeças. Dependendo do enredo, pelo menos três substâncias químicas podem ser produzidas no seu cérebro:

  • Dopamina: aumenta o foco, motiva e ativa a memória; liberada quando o suspense aumenta e você precisa saber o que vai acontecer depois.
  • Ocitocina: nos faz mais generosos e aumenta nossa empatia; aparece quando a história fica triste e temos pena dos personagens.
  • Endorfina: relaxa e nos faz sorrir; vem de situações inusitadas que favorecem os personagens e dos finais felizes.

Mas é só isso? Não, tem muito mais. Mais de 500 anos antes de Cristo, Esopo, um escravo grego que conquistou a liberdade e se tornou conselheiro de reis e de nobres, criava histórias com animais falantes (as famosas fábulas) não apenas para encantar ou conectar, mas também para ensinar. As fábulas tinham uma moral, que eram o ensinamento que buscavam transmitir, garantindo a Esopo a alcunha de sábio. Mais de 2000 anos depois, veio Jean de la Fontaine, o fabulista francês que reescreveu as fábulas para disseminar a sabedoria de Esopo. Uma frase ficou famosa:

Sirvo-me dos animais para instruir os homens.

La Fontaine

Inspirado por Esopo e La Fontaine, também desejo ensinar através das fábulas. No próximo artigo, darei mais detalhes a respeito de como planejo fazê-lo. Não perca!

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