Quarta-Feira Criativa S02E05 (17/02/16)

Escreva um microconto de 500 a 1500 caracteres sem espaços usando as figuras dos dados. No final do projeto, caso autorize, seu microconto será republicado em uma antologia que será lançada na Amazon. Para ver o início dessa temporada, visite

https://fabulonica.wordpress.com/2016/01/21/quinta-autoral-criativa/

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Quarta-Feira Criativa S02E05 (17/02/16)

 

Ensopado pela chuva fina, entrei no quarto do hotel, no quinto andar, e larguei a mala (que eu mesmo tive que carregar) no chão. Paguei barato, em dinheiro, pela hospedagem e não esperava muito das acomodações. Não me decepcionei. Espantei alguns insetos quando acendi a luz, que vinha de uma lâmpada incandescente pendurada no teto pelos fios que a alimentavam.

Sentei-me na cama sobre os lençóis empoeirados. Aparentemente, ninguém dormia ali há muito tempo. Lembrei-me de minha perda recente, o que piorou minha depressão. Nenhum pai deveria passar pela desgraça de enterrar uma filha. Não era a ordem natural das coisas. Mas logo eu me juntaria a ela e essa dor acabaria.

Abri a janela disposto a me jogar nos fios de alta tensão. A chuva ainda caía, bem fina e um arco-íris havia se formado ao longe. Era tão bonito… do jeito que ela gostava. Vendo a beleza das cores e recordando da alegria dela, perdi a coragem. Se ela estivesse aqui, não iria se orgulhar de mim. Fechei a janela, peguei a mala, apaguei a luz e fui embora disposto a viver por ela.

 

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20 comentários sobre “Quarta-Feira Criativa S02E05 (17/02/16)

      1. Olha eu de novo! =)
        Segue o meu microconto dessa semana, Lucas. *-*

        Arco-íris

        Onde está você? Para onde foi? Por que me deixaste?
        Essas perguntas atormentaram-me durante um longo período de tempo. Até que sua caixa de mensagens ficou cheia. Até os insetos destruírem todas as cartas que joguei em seu jardim. Até te ver entrando em um hotel, com outra.

        Uma tempestade cobriu meu mundo e meu corpo. Começará chover. Muito forte. Só não mais que dentro de mim. Fiquei sem chão.

        Um senhor gritava para que eu saísse da chuva. Pessoas passavam correndo procurando um abrigo e me olhavam indiferentes, como se eu não fosse absolutamente nada. Será que não veem que estou sofrendo? Que me mataram? Sim, eu respirava, mas estava morta por dentro…

        Não sei quanto tempo permaneci ali, imóvel. Após a chuva cessar um pouco, algo extraordinário aconteceu. Uma criança soltou-se das mãos dos pais, vindo em minha direção. Parou na minha frente, olhou bem fundo nos meus olhos lacrimejados e disse:

        – Moça, depois da tempestade, vem o arco-íris!

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  1. Mudança

    Chovia muito naquela manhã. Era o mês de fevereiro de 1993. Após ter colocado as duas maletas no pequeno porta-malas do fusca de seu fusca, ainda com “aquele nó na garganta que teimava em permanecer”, desde à tarde do dia anterior quando fui obrigado a sair de casa; abracei fortemente minha mãe. Bem sabia eu que ela jamais aceitaria aquela decisão, mas, por obediência e submissão, não o iria contrariar. Ela havia passado toda a noite chorando, um choro silencioso e constante que lhe causava inconformação, talvez por não saber para onde eu iria. No entanto, não reclamou da decisão dele.
    De dentro do pequeno veículo, dei mais uma olhada para ela, arrasada, era como havia ficado. O fusca de meu pai desceu, deslizando sobre a estreita e molhada estrada de terras vermelhas que separava nosso sítio da pequena cidade do interior. Ao notar que a chuva abrandava, imaginei que talvez pudesse ser um anúncio do Criador, um sinal de que ali não seria o final, mas o recomeço de uma vida, de minha vida. E, aquele pensamento me fez bem. Nesse instante, ao elevar meu olhar para cima, notei, com o rosto próximo ao vidro lateral do carro, que um lindo arco-íris coloria o céu que começava receber os primeiros raios do sol naquela manhã de segunda-feira.
    Hoje, da cobertura do prédio de 30 andares, ao lado de minha mãe, observando outro arco-íris ao horizonte, agradeço a Deus por meu pai ter tomado aquela decisão que, na verdade, causou grande bem para todos nós.

    Curtido por 2 pessoas

  2. Mudança (Editado)

    Chovia muito naquela manhã. Era o mês de fevereiro de 1993. Após ter colocado as duas maletas no pequeno porta-malas de seu fusca; ainda com “aquele nó na garganta que teimava em permanecer”, desde à tarde do dia anterior quando fui obrigado a sair de casa, a abracei fortemente. Sabia eu que ela jamais aceitaria aquela decisão, mas, por obediência e submissão, não o iria contrariar. Ela havia passado toda a noite chorando; um choro silencioso e constante que lhe causava inconformação, talvez por não saber para onde eu iria. No entanto, não reclamou da decisão dele.
    De dentro do pequeno veículo, dei mais uma olhada para ela, arrasada, era como havia ficado. O fusca de meu pai desceu, deslizando sobre a estreita e molhada estrada de terras vermelhas que separava nosso sítio da pequena cidade do interior. Ao notar que a chuva abrandava, imaginei que talvez pudesse ser um anúncio do Criador, um sinal de que ali não seria o final, mas o recomeço de uma vida, de minha vida. E, aquele pensamento me fez bem. Nesse instante, ao elevar meu olhar para cima, notei, com o rosto próximo ao vidro lateral do carro, que um lindo arco-íris coloria o céu que começava receber os primeiros raios do sol naquela manhã de segunda-feira.
    Hoje, da cobertura do prédio de 30 andares, ao lado dela, observando outro arco-íris ao horizonte, agradeço a Deus por meu pai ter tomado aquela decisão que, na verdade, causou grande bem para todos nós.

    Curtido por 1 pessoa

  3. A minha participação:

    Depois da Chuva

    Jóice D´Aviz

    Elisa estava angustiada aguardando no corredor até que seus “novos pais” viessem lhe buscar. “Como se eles pudessem tomar o lugar dos meus verdadeiros pais!”, pensava ela. Os dois então chegam com um sorriso escancarado. A mulher diz :

    — Vamos, Filha!
    Depois de uma viagem longa e cansativa chegam até um bairro chique.

    — Chegamos! Você irá adorar morar aqui! — diz o homem entusiasmado.

    Elisa força um sorriso.
    Ela entra desconfiada como um gato que chega a um ambiente desconhecido. Dá passos contados. E observa os móveis, as fotografias emolduradas, uma casa limpa e muito organizada. “Aparentemente não tem o tanto de insetos que tinha lá no orfanato, primeiro ponto positivo. ” pensa ela.
    Por distração ela acaba soltando: — Eles nunca substituíram os meus pais, N-U-N-C-A!
    Então se assusta, pois percebe que a mulher está a observando:
    — Desculpe-me entrar assim sem bater.Posso te afirmar que eu e Matias não queremos substituir os seus pais. Nós só queremos cuidar de você. Nós éramos amigos dos seus pais. E naquele dia horrível também perdemos nossa filha Manoela.
    Elisa fala assustada e com os olhos marejados : — A Manu? Então foram vocês os outros dois sobreviventes?
    — Sim somos nós. Aquele incêndio terrível no prédio não destruiu só a nossa moradia. Destruiu os nossos sonhos. Quando descobri que você havia sobrevivido, a esperança reacendeu dentro de mim, nós éramos pais sem filha, e você filha sem pais. Era como um arco-íris depois da tempestade.

    P.S.: Autorizo que utilizem meu texto, se necessário.

    Link: https://feitobailarina.wordpress.com/2016/02/22/quarta-feira-criativa-17022016/

    Abraço!

    Curtido por 1 pessoa

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