Interrogação, Máscara ou Álien, Ábaco

Quarta-Feira Criativa (27/01/16)

Para saber as regras para participar, veja o link a seguir, no blog Fabulônica, onde a segunda temporada do Projeto Quarta-Feira Criativa teve início:

https://fabulonica.wordpress.com/2016/01/21/quinta-autoral-criativa/

Interrogação, Máscara ou Álien, Ábaco
Quarta-Feira Criativa — 24/01/2016

 

Um Dia Qualquer?

Lin Cheng era o vigia que estava de guarda no Museu de Suzhou naquela noite. Geralmente, a noite era tranquila. Adorava vigiar as armas medievais, pinturas antigas, vasos ancestrais e um ábaco, mas esta noite era diferente. Estava um pouco preocupado, pois a tiara de uma antiga princesa havia acabado de chegar. Expuseram-na bem no centro do museu, abaixo da parte mais alta do teto de vidro.

Por volta das duas da madrugada, um clarão vindo do céu iluminou todo o museu por um instante. Então, depois de alguns minutos, o mesmo aconteceu. O guarda, que dispunha apenas de um cacetete, rapidamente enumerou em sua mente todas as armas do museu. Dentre as opções, talvez o arco composto fosse a que lhe oferecesse mais chances de sobrevivência no caso de uma invasão. Poderia se esconder e atacar à distância.

Correndo até o local do arco, pegou a aljava, que continha somente três flechas, e a pendurou sobre o ombro. Então, apanhou o arco e se escondeu em um canto. Novamente, o clarão voltou. Mas, desta vez, depois que a luz diminuiu, uma criatura esbelta com uns dois metros de altura estava de frente para o ábaco antigo, no fim do corredor. Sem pestanejar, sacou uma flecha e a atirou com o arco na direção do invasor o melhor que pode. Entretanto, a luz voltou antes que pudesse verificar se havia acertado o alvo. Ao conseguir enxergar depois do clarão, o bicho estava bem na sua frente, com o ábaco na mão. Sem chance de se defender, desesperado, perguntou:

O que você quer aqui?

Ihrktag shreskt ankar respondeu a criatura, que causou mais um brilho forte e desapareceu no ar, levando o ábaco. Pelo menos, havia deixado a tiara.

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26 comentários sobre “Quarta-Feira Criativa (27/01/16)

  1. Demônios
    Adormecera cedo naquele dia. Repetidamente perguntava-se: “Até quando os demônios vão puxar-me ao abismo da solidão?”
    Em sonhos fantasmas, monstros, extraterrestres perseguiam-na para levá-la aos demônios com intuito de receber uma promoção no mundo das trevas. Corria, corria com todas as suas forças. Tentava gritar, implorava por ajuda. Silêncio. Escuridão. Medo.
    Acordou no meio da noite sobressaltada. Olhou ao redor com a visão nebulosa e viu seu pequenino ábaco que a fez soltar um grito: “Aaaaaaaaaaaaa!” De onde ela avistava-o e pela iluminação do quarto, pareciam os olhos dos demônios mirando-a, prontos para devorar sua alma.
    por Mayara K. – Devaneadora de Ideias.

    _________________________________________________________________

    Adorei o seu microconto meu caro! Ajudou-me também pois eu não sabia que o ábaco, chamava-se ábaco kkkkkk
    Preciso colocar novamente que autorizo uma futura publicação e deixar o blog registrado? hehhehe
    Por hora, agradeço-te novamente por despertar em mim a criatividade através desse magnifico projeto! 😀
    Abraço querido.

    Curtido por 7 pessoas

    1. Que bom que gostou do meu e que aprendeu o nome do ábaco 😀

      Também gostei muito do seu microconto!
      Obrigado por participar e seja sempre bem-vinda 🙂

      Já que você já autorizou antes e eu já sigo seu blog, não é necessário repetir.
      Por favor, então, diga-me se publicar algo que deseja que eu não republique, ok?

      Abraço!

      Curtido por 2 pessoas

  2. Boa noite, caro Lucas. Segue abaixo meu microconto. Autorizo publicação futura em Antologia caso seja um dos escolhidos. Waldir L. http://wldexilado.wordpress.com

    Abraço.
    ———————

    Interrogações

    De frente para a lápide… Por que estou aqui? Quem é Maria Fernanda? Procuro logo uma saída, e acho! Meus olhos se voltam para todos os lados. Do outro lado da avenida há um pedinte perto de uma igreja. Por que não o colocam pra dentro e cuidam? Uma mulher passa perto com um carrinho e dentro um bebê. Nos ombros, o peso das sacolas e bolsas e do mundo, onde está o pai pra ajudar? Vejo algo mais e fico paralisado. Um pouco à esquerda, perto de onde vi o mendigo, há um assalto em andamento. Só pode ser um salão de beleza. Bem pequeno. Quase não se nota. Ninguém nota. Vejo o cano semi-descoberto apontado para uma mulher de meia idade que deve ser a dona. Aquele com certeza não é cliente, ou é? Mas há uma garota aos prantos no fundo. Uma criança. Quinze? Doze? Ela está sendo arrastada por um homem forte e outro tenta pegar seus pés. Eles conseguem a levar para mais fundo ainda, onde há uma porta que é aberta e depois fechada com os dois e a garota lá dentro. Por que não roubam e vão embora? O que segura a arma está do mesmo jeito, sem qualquer alteração. A provável dona chora e parece implorar. Ligo para a polícia? Estou armado. Minha filha, ou podia ser a sua! Vou atravessar a avenida correndo e sou lançado aos ares. Vejo toda a minha vida. Atingido o ápice, retorno enquanto caio no presente e no asfalto. Vislumbro antes da morte uma cruz de ponta-cabeça. Finalmente entendo todo o mistério. Tenho todas as respostas, mas é tarde demais.

    Curtido por 7 pessoas

      1. Obrigado, Lucas. De fato a realidade sem ser romanceada é um tanto tenebrosa. Estupros, mortes, injustiças e atropelamentos são difíceis de romancear. Tentei, mas não dá pra dizer que se consegue um resultado excelente. Não se sinta obrigado a variar os estilos por minha causa. Não temos contrato e aceito devolução ou negação. 🙂 A propósito, achei o seu legal, um pouco fantasioso. Abraço e obrigado por me deixar participar.

        Curtido por 1 pessoa

      2. Não se preocupe, Waldir.
        Quero que seu microconto faça parte da antologia, sim.
        Ele ficou bem escrito, gostei da história e, além disso, uma dose de realidade não faz mal a ninguém 😀

        Abraço!

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  3. GRAVIDADE

    “Quem sou eu?” – perguntou a jovem àquele rapaz com que compartilhava tanto de sua vida.
    “Você sabe que eu sei “ler” você, não sabe?” – ele responde a ela com os olhos firmes a encará-la. Ela se intimida diante daquele olhar e insiste na questão.
    “Pois, então me diga o que lê agora senhor!” – seu sorriso é tímido, ansioso e esperançoso. Tentava inutilmente esconder seu nervosismo num tom de fala atrevido.
    Ele alto, forte e possuidor de uma expressão totalmente ilegível. Aproximou-se dela com certa elegância e destreza. Seus gestos similares ao de um destemido caçador a cercar a vítima que caiu em sua armadilha.
    “Diria que você é totalmente dominada pelo que sente por mim, moça. Também diria que adoraria conseguir evitar meus olhos agora. Mas não consegue, pois é atraída por eles de forma incontrolável. E com certeza fugiria se pudesse de mim, pois eu te deixo aflita. Mas, sei que quanto mais tenta fugir mais deseja voltar aqui e pra mim. E sei que adora a tormenta que lhe causo”. – ele sussurra essas palavras aos ouvidos da pequena mulher que suspira e inspira fortemente fechando os olhos tentando inutilmente manter a serenidade de suas ações.
    “Estou errado, paixão?” – o meio sorriso indicava que ele conhecia e tinha certeza da tormenta que causou à mulher diante de si. E somente através da reação do olhar e da expressão em seu rosto ele podia ter certeza que ela lhe dizia sim para tudo o que havia dito. As palavras eram desnecessárias. Mas, ele tinha que ouvir. Precisa que ela verbalizasse que ele estava certo. Que ela era dele. Apenas dele.
    “Diga, estou certo?” – insistia ele. Tinha que ouvir o som sôfrego da voz daquela mulher que ele desejava ser único em tudo que ela pudesse sentir.
    “Sim, não está errado. Sim, não consigo resistir á você. E preciso de você e do que você me faz sentir.” – ela lhe responde tão suavemente e num tom baixo que ele lhe puxa pelos braços e a toma para si, agarrando-a firmemente pela cintura, tornando nulo o espaço entre seus corpos e insistia-lhe para que repetisse tudo o que havia dito.
    Naquele instante, o tempo parecia congelado entre os dois, e a única ação acontecia na atmosfera interna daqueles dois corpos. Ela sabia que jamais poderia livrar-se do encantamento que aquele homem lhe submetia. Ela estava presa a ele por correntes invisíveis e eternas, e adorava estar presa a ele.
    E ele sabia que o fato de ter aquela mulher tão única e tão sua não o faria tirá-la de cabeça; viciante eram as sensações que ela lhe causava e a falta dela lhe causava irritação e até mesmo sofrimento do corpo e da mente.
    E o “ser” naquele instante nada mais era que a mais intensa atração entre corpos, almas e espíritos, rompendo a linha do tempo e da temporalidade.
    Importava-lhes apenas o agora!

    Nota explicativa:
    ABACO (o tempo) – INTERROGAÇÃO (perguntas) – MÁSCARA (sentimentos e sensações)

    Autorização:
    Eu, Laynne Cris autorizo a publicação deste mini-conto numa futura antologia caso seja conveniente.

    Laynne Cris
    Meu Espaço Literário
    http://www.laynnecris.wordpress.com

    Curtido por 6 pessoas

  4. Tudo igual – Rodrigo Feliciano – 2016 ( licença WTFPL – http://www.wtfpl.net)

    O velho feirante preparava as caixas para fechar a banca, mas parou para atender o último
    cliente do dia. Ele sempre chegava no fim da feira, mais para conversar do que comprar alguma
    coisa. O assunto não podia ser outro: a enorme nave que pairava sobre a cidade.
    – O mundo vai mudar – disse o cliente.
    – Vai nada – respondeu o feirante, cheirando um tomate e jogando lixo – Para mim vai continuar
    igual. Continuarei plantando, cuidando, colhendo e vendendo. Já passei dos 80, não tenho outra
    coisa pra fazer. Podem trazer a tecnologia que for, pra mim não vai fazer muita diferença. Sou só um fornecedor de comida. – abriu os braços, mostrando a banca.

    O cliente pensou um pouco, olhou para a nave lá em cima e para a cara do feirante. Por fim
    disse:
    – Nosso mais avançado computador não passa de um ábaco para alguém com uma tecnologia assim. Pense só no que eles podem nos ensinar.
    – Não uso computador, nem celular e nem calculadora. Faço conta ali no caderninho: papel e
    caneta! – apontou.
    – Então eles não vão afetar sua vida?
    – É mais fácil eu afetar a vida deles… – e ajeitou uma caixa de cenouras.
    – Há! Como?
    – Eles precisam comer, né? Se não forem robôs, claro.
    – E se eles comem gente?
    – Ainda assim, continuarei fornecendo a comida. Viu, tudo igual.

    ——————————–
    Ô Big Straw, parece que a formatação deu problema depois que copiei e colei do editor de texto para a caixa de comentários. Ajeitei até onde deu e a Júlia deixou.

    Curtido por 3 pessoas

    1. Relax, Rodrigo!
      Pode deixar que, quando eu juntar, eu reformato.

      Cara, adorei!!!
      Realmente, você tem o dom de terminar a história com uma sacada legal 😀

      Rachei de rir da licença, hahahaha!
      E, além disso, você desenterrou um apelido meu que um velho amigo meu costumava usar.

      Valeu pela participação.
      Você gostaria que eu associasse algum site ao seu nome na Antologia?

      Abraço!

      Curtido por 1 pessoa

  5. Minha contribuição :

    O desconhecido mascarado
    por Jóice D´Aviz

    Era uma noite de Carnaval comum como todas as outras. Laura sentia-se tão exausta que decide ir embora mais cedo. Causando descontentamento dos amigos.

    Ela então vai sozinha e chega a um túnel e ao atravessá-lo esbarra com um mascarado desconhecido. A máscara só permitia que ela visse seus olhos, fitaram-se por um momento. Ele tinha os olhos cor de mel, os olhos mais lindos que ela havia visto em toda a vida dela. E curiosamente tinha uma corrente com pingente de ábaco. “Deve ser um intelectual”, pensou ela.

    Chegou no apartamento tinha alugado com os amigos, tirou a fantasia, e adormeceu. Sonhou com o mascarado, pediu que ele tirasse a máscara e quando finalmente sua face seria revelada ela acordou com a gritaria dos amigos que acabavam de chegar. Levantou irritada e intrigada por ter sonhado com aquele desconhecido.

    Já eram 7 horas da manhã. Os amigos começaram a tirar onda com ela. Que acabou ficando tão brava que decidiu sair um pouco e tomar um ar fresco.

    Ela caminhou um pouco, entre o lixo que os foliões porcos usaram para “marcar seus territórios”. Até chegar a um barzinho , o único que achou aberto nas redondezas.

    De repente , um homem senta ao seu lado:

    — Oi de novo!

    Ela olhou desconfiada, pois não o conhecia. Até que percebeu o pingente de ábaco e sorriu.

    Os dois se apresentaram e conversaram por um bom tempo. O feriado estava chegava ao fim e Laura só conseguia olhar para aqueles lindos olhos e calcular quanto tempo ainda teria para beijá-lo.

    P.S.: Obrigada por ter permitido que eu ainda participasse. :*
    P.S²: Eu autorizo que utilizem meu microconto na antologia. E o link que quero que usem é o do meu blog 🙂

    https://feitobailarina.wordpress.com/2016/02/05/quarta-feira-criativa-27012016/

    Abraço de urso!

    Curtido por 1 pessoa

  6. Duendes

    – Cara, você contou direito???
    – Sim, já contei umas quinhentas vezes, mas não está fechando… A lista tem 37 convidados, mas nós temos 39 máscaras…
    – Não pode, eu fiz as máscaras, não tem como ter duas a mais…
    – Mas não é só isso… tem mais coisa errada, nenhuma das contas está fechando… os convites aceitos foram 54, as bebidas compradas foram calculadas para 30 pessoas, e a comida para 62!!!! temos 10 mesas com 2 cadeiras e outras 12 com 4 cadeiras… é cadeira pra car*lho….
    – Não não não não não…. cadê a ordem cara? Tava tudo organizado.. e a festa começa em 20 minutos!!! o que vamos fazer?????

    Pela fresta da porta do quarto, o pequeno duende diabólico arruinador de festas, conhecido como irmão mais novo não convidado, ria consigo mesmo e pensava “… e vai piorar…”

    Evelyn Port
    https://evelynealendaancestral.wordpress.com/

    Curtido por 1 pessoa

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