A visão japonesa é acessível ao brasileiro, principalmente, através de games e animes [1] mesmo que, na maior parte, tratem de temas do país de origem. Neste artigo, a interpretação japonesa de outras culturas é analisada, brevemente, através de algumas poucas produções artísticas baseadas em culturas externas ao Japão.
Em uma das séries de jogos para computador e consoles, iniciada em 1987, o protagonista é um agente americano, especializado em infiltrações. Como foi criado ainda no período da Guerra Fria [2], a série Metal Gear [3] inclui elementos de espionagem e produção de armas atômicas, além de conflitos políticos. Hideo Kojima, o criador da sequência de jogos, retrata os Estados Unidos como sendo um país que utiliza engenharia genética e alta tecnologia para controlar a economia mundial e a troca de informações. Ao longo da série, várias forças políticas entram em conflito e, no controle dos protagonistas, que mudam ao longo da série, o jogador tenta impedir que armas poderosas cheguem em mãos erradas e que conglomerados sejam capazes de obter poder suficiente para controlarem o mundo.

Já no anime Fate/Zero [4], de 2011, são retratados alguns elementos da idade média, como o Rei Artur [5], os Cavaleiros da Távola Redonda e o Santo Graal, além de outros da antiguidade, como Gilgamesh [6], rei da Suméria, e Alexandre, o Grande. A história da animação gira em torno da Guerra do Santo Graal, onde sete magos invocam, cada um, um espírito heróico para auxiliá-los na conquista do Graal. Esse artefato pelo qual batalham é capaz de conceder um desejo ao seu possuidor. Assim, o desenvolvimento da trama enfatiza as personalidades e motivações de cada mago e de cada espírito heróico, dos quais Artur, Gilgamesh e Alexandre fazem parte.

Outro anime, Magi [7], traz vários personagens das Mil e Uma Noites, como Simbad, Ali Babá [8] e Aladim [9], para dentro de uma mesma história. Entretanto, as histórias originais de cada personagem são alteradas para que interajam, apesar de muitas características serem mantidas. Por exemplo, Morgiana, uma das benfeitoras na história de Ali Babá tem uma interpretação interessante na obra japonesa, salvando a vida de Ali Babá várias vezes, como na obra original.

Concluindo, é possível ver que, como em qualquer cultura, as histórias estrangeiras são conhecidas e recebem adaptações no Japão, como no caso dos animes citados, além de outras serem criadas com base em outros países e culturas, como no caso do Metal Gear. Entretanto, ao contrário de como é feito pelas produtoras americanas, adaptações das histórias recebem mais influência da cultura local, transformando-se em histórias completamente novas. Por exemplo, pode-se comparar o primeiro filme do Aladim, feito pela Disney, que manteve grande parte do enredo original, ao Aladim de Magi, que é uma criança que não tem o mínimo interesse em se casar ou em riquezas materiais. Isso seria reflexo da diferença no modo de pensar ocidental e oriental? Ou apenas uma tentativa dos japoneses de atingirem maior público ao utilizarem elementos mais familiares aos ocidentais?
Referências
[1] CULTURA do Japão. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Wikimedia, 2015. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura_do_Japão >. Acesso em 25 de setembro de 2015.
[2] GUERRA Fria. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Wikimedia, 2015. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Fria >. Acesso em 25 de setembro de 2015.
[3] METAL Gear. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Wikimedia, 2015. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Metal_Gear >. Acesso em 25 de setembro de 2015.
[4] FATE/Zero. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Wikimedia, 2015. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Fate/Zero >. Acesso em 25 de setembro de 2015.
[5] REI Artur. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Wikimedia, 2015. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Rei_Artur >. Acesso em 25 de setembro de 2015.
[6] GILGAMESH. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Wikimedia, 2015. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Gilgamesh >. Acesso em 25 de setembro de 2015.
[7] MAGI (mangá). In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Wikimedia, 2015. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Magi_(mangá) >. Acesso em 25 de setembro de 2015.
[8] ALI Babá. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Wikimedia, 2015. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ali_Babá >. Acesso em 25 de setembro de 2015.
[9] ALADIM. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Wikimedia, 2015. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Aladim >. Acesso em 25 de setembro de 2015.

Ótima postagem. Parabéns.
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Ótimo post! Gosto muito da cultura japonesa e a forma como eles enxergam e fazem as coisas, trazendo a si diversas coisas! Não sabia que você se interessava pelo tema, que legal! Se tiver interesse algum dia, assista Gosick, retrata o período entre guerras com um pouco de misticismo, é sensacional 🙂
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Obrigado!
Sim, eu gosto muito da cultura japonesa.
Vou procurar o Gosick.
Obrigado pela indicação.
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Por nada, imagina! Depois me diga o que achou 🙂
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Adorei o post! Confesso que não curto muito animes, mas me interessei muito pela história dos dois primeiros, vou procurar ver e quem sabe eu não me interesse mais pelo assunto 🙂
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Que bom que despertei sua curiosidade!
Uma das coisas com a qual temos que ter paciência com os animes é o humor.
Alguns animes, predominantemente sérios, têm momentos escrachados demais.
Se quiser alguma recomendação, diga alguns filmes que você gosta para eu poder indicar algum anime parecido.
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Ótimo post! Sempre vi que há um certo foco na cultura japonesa, mas nunca parei pra pensar como eles representam as outras culturas. Sensacional!
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Obrigado, Barbara!
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Achei o post ótimo. Sempre tive muito interesse em coisas relacionadas a cultura japonesa, mais ainda quando eu era mais nova. E também sempre tive curiosidade em ver um anime, quem sabe com esses que você citou eu não comece a ver alguns.
;*
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Que bom que gostou!
Obrigado pela visita!
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